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Alguns fatos sobre Michael Jordan que ninguém nunca te disse

Por João Dannemann

Michael Jordan realiza arremesso sob marcação de Craig Ehlo, para fechar a série de primeira rodada dos playoffs de 1989, contra o Cleveland Cavaliers (Foto: The New York Times).

Icônico. O arremesso final de Jordan, sobre Craig Ehlo, para vencer a série de primeira rodada dos playoffs de 1989, contra o Cleveland Cavaliers, é simplesmente icônico. Um arremesso gravado na memória de qualquer fã da NBA como um dos definidores da grandeza de Michael Jordan, antes mesmo do astro vencer algum título. Mas o que poucos sabem é que o craque marcou 40 pontos nesse jogo. Não só nesse jogo, mas ele teve 40 pontos de média nessa série, em cinco jogos.

Mas, como todo mundo sabe, dominância nesse calibre não era nada novo para Jordan, porque na temporada anterior ele teve uma média de mais de 45 pontos por jogo na primeira rodada dos playoffs, contra o mesmo Cleveland Cavaliers. Na verdade, deixando tudo mais interessante ainda, ele teve média superior a 40 pontos por jogo em séries de playoffs por seis vezes na carreira. É quase inacreditável. Porém quando você compreende o fato de que, entre 1986 e 1990, Mike manteve uma média de 37,4 pontos por jogo em playoffs, fica mais fácil assimilar tudo isso. 

E com o documentário "O Arremesso Final" (tradução oficial de "The Last Dance"), produzido pela ESPN em parceria com a Netflix, no ar em todo o planeta, qual melhor tópico para falarmos do que alguns fatos sobre Michael Jordan que ninguém nunca te disse? Agora, tenha em mente que estes não são fatos típicos sobre Michael Jordan. São fatos fascinantes, até perturbadores de se imaginar. Obscuros, mas não impossíveis de pesquisa. 

Pegue as Finais de 1993, como um bom primeiro exemplo do rumo que essa matéria vai tomar. Vamos apenas ignorar o fato de que Jordan queimou os Suns com 48 pontos por jogo nessa série, porque os Suns não eram os únicos se queimando. No Jogo 2 da série, se você prestar muita atenção, conseguirá notar que MJ está notavelmente mais bronzeado do que o normal

Obviamente existe uma explicação para isso. Um dia antes do jogo, ele jogou duas partidas de golfe, debaixo do caloroso sol de Phoenix. E, aparentemente, jogar oito horas de golfe sob o fervor solar, entre jogos de Finais, não afetou nada no seu basquetebol, já que ele terminou o Jogo 2 com 42 pontos. 

Os fãs do astro sabem bem que, enquanto estava na Universidade da Carolina do Norte, Michael Jordan foi companheiro de time do grande James Worthy. Mas, o que alguns podem não saber é que, na sua última temporada como atleta universitário, mais da metade dos seus companheiros de elenco se tornaram jogadores da NBA. O time contava com 11 jogadores e seis deles se profissionalizaram: além de Michael Jordan, Sam Perkins, Brad Daugherty, Kenny Smith, Joe Wolf e Dave Popson.

Na sua temporada de novato na NBA, em 1985, Michael Jordan marcou 2.313 pontos. De longe, a maior marca de pontuação atingida por qualquer novato na história moderna da liga. Para efeito de comparação, nenhum conseguiu passar nem dos 2.000 pontos. Atrás de Jordan vêm nomes como: David Robinson (1.993 pontos), Shaquille O'Neal (1.893), Ron Harper (1.874), Blake Griffin (1.845), Allen Iverson (1.787), Glenn Robinson (1.755), Mitch Richmond (1.741) e Terry Cummings (1.660).

Para efeito ainda mais chocante, compare os números de Jordan (2.313) com os dos novatos da temporada atual, de 2019-20, que já jogaram cerca de 60 dos 82 jogos: Ja Morant (1.041 pontos), Coby White (859), Eric Paschall (837), R.J. Barrett (803), De'Andre Hunter (778), Darius Garland (728), P.J. Washington (710) e Cam Reddish (610).

Michael Jordan recebe o prêmio de Novato do Ano na NBA, em 1985 (Foto: Pinterest).

Na história, existem doze jogadores da NBA que, gravados em vídeo, quebraram uma tabela oficial. Michael Jordan (1,98 m e 95 kg), é o mais baixo e mais leve deles

Em 1985, durante um jogo de exibição, um jovem MJ, de apenas 21 anos de idade, dilacerou uma tabela e deixou a cena completamente ileso, enquanto seus oponentes eram banhados com cacos de vidro. Como se isso não fosse suficientemente impressionante, se um dos seus adversários tivesse um passo à direita, Jordan teria, sem sombra de dúvidas, pulado por cima dele, o que faria dessa, indubitavelmente, a enterrada mais lendária de todos os tempos. Esse é um grande "e se"...

Na prolífica carreira de Michael Jordan, ele jogou contra exatos 1.212 jogadores na NBA. Desse total, 310 deles nunca venceram um único jogo contra MJ. Isso quer dizer, aproximadamente um quarto dos jogadores que Jordan enfrentou, nunca venceu contra ele. Nenhuma vez. E, ainda considerando o número total de jogadores que ele enfrentou na carreira, a maioria deles nunca venceu mais de dois jogos contra o astro (718 atletas, para ser mais preciso). 

Para balancearmos esse número, dos 1.212 jogadores que Mike enfrentou, apenas 74 deles nunca perderam para o craque. Alguns deles são, por exemplo: Dirk Nowitzki (3 a 0), Gilbert Arenas (2 a 0) e, não me matem, Scottie Pippen (1 a 0). Mas a maioria dos jogadores que nunca perderam de Jordan, fizeram isso nas duas últimas temporadas da carreira do astro, quando ele já estava com o Washington Wizards.

Única vez em que Michael Jordan (direita) enfrentou Scottie Pippen (esquerda), em dezembro de 2002, quando os astros estavam jogando pelo Washington Wizards e Portland Trail Blazers, respectivamente. Pippen levou a melhor (Foto: Fadeaway World).

Por outro lado, Sherman Douglas, que passou 12 temporadas na NBA, enfrentou Michael Jordan exatas 30 vezes na sua carreira, entre os anos de 1989 e 1997, e perdeu todas elas. 30 jogos, 30 derrotas. Virando a mesa novamente, Isiah Thomas possui uma posição muito única na história da NBA. De todos os jogadores que Jordan enfrentou na carreira, Isiah foi o que venceu MJ mais vezes. Dos 65 jogos que os dois astros se enfrentaram, Thomas venceu 36 e perdeu 29. 

Agora, todos nós sabemos que MJ era um revolucionário do jogo desde o momento em que ele pisou na sua primeira quadra de NBA. Mas Michael era tão bom, que após quebrar o seu pé, com apenas três jogos na sua segunda temporada na liga, ele ainda assim foi eleito para o All-Star Game. Um jogador segundanista, de apenas 22 anos de idade, com apenas três jogos disputados na temporada. Surreal. Claro que ele estava lesionado, então foi cortado do jogo e do fim de semana das estrelas.

Nos últimos anos, a NBA se transformou num grande torneio de três pontos. Para alguns jogadores, o fluxo de arremesso de três pontos é uma bênção, para outros nem tanto. Dentre os maiores pontuadores da temporada 2018-19, por exemplo, Giannis Antetokounmpo (27,7 pontos por jogo), foi o que menos arremessou de três, com apenas 16% dos seus pontos tendo vindo desta distância. Stephen Curry (27,3), por outro lado teve 61% dos seus pontos produzidos de longa distância. E, é claro, James Harden (36,1), que teve 54% dos seus pontos vindos da linha de três e arremessou mais de mil bolas de longa distância em uma única temporada.

Michael Jordan, em 1986-87, teve sua melhor média de pontuação em uma temporada na carreira, com 37,1 pontos por jogo, arremessando apenas 66 bolas de três em toda a temporada regular. Isso é menos que um arremesso de três por jogo. Aproximadamente 2% de seus pontos saíram de arremessos de três. MJ não precisava de uma bomba de três para derrubar 40 pontos na cabeça de alguém. 

No verão de 1995, durante as filmagens de Space Jam, a Warner Bros. montou um ginásio de basquete completo, além de uma academia, para que Jordan pudesse treinar. Nas sessões de treino, ele convidava outros grandes jogadores da NBA para alguns jogos recreativos. Dentre eles, Kenny Smith, Charles Barkley, Reggie Miller, Magic Johnson e Dennis Rodman

O fato de que eles nunca deveriam ter aceitado o convite de Jordan foi uma opinião unânime entre os que participaram dos jogos. Porque? Todos disseram que esses treinamentos deixaram MJ ainda melhor. Claro que, depois disso, Jordan foi o cestinha da liga, venceu o prêmio de MVP, liderou os Bulls para 72 vitórias na temporada regular, ganhou mais um anel e foi eleito MVP das Finais. Obrigado, WB!

Jordan se exercitando no centro de treinamento construído pela Warner Bros, em 1995, junto com seu personal-trainer, Tim Grover (Foto: FOX Sports).

Plus/minus é uma estatística sempre interessante e intrigante. À primeira vista, o valor nunca parece ser muito preciso ou chamativo, mas considerando tudo, se pegarmos uma boa amostra, é um grande indicador do valor que um jogador tem em quadra. E, analisando isso, podemos dizer que Michael Jordan era muito valioso, já que ele tem o recorde de maior plus/minus na carreira na história da NBA, de 9,22, incluindo seus anos com os Wizards. O segundo lugar é LeBron James, com 8,94. 

Mas a grandeza não acaba aqui. Dos 10 maiores valores sobre reserva da história, seis são de MJ (o primeiro lugar é dele com 12,47). O valor sobre reserva, analisa a diferença de produção de um jogador titular sobre seu reserva imediato. Quanto maior o valor, mas insubstituível é o jogador, por assim dizer. Ele também tem o maior percentual de eficácia em quadra na história da NBA (27,91), a maior média de pontuação por jogo na carreira na história (30,12) e a maior porcentagem de vitórias por 48 minutos na história (25,05).

O fato é que, enquanto jogava com os Bulls, Jordan liderou a liga nas estatísticas avançadas mais vezes do que não liderou. Transformando em números, foram 54 lideranças de categoria em 96 possíveis, enquanto ele jogava em Chicago. Isso é só mais um pedaço de evidência da grandeza do camisa 23.

Dentro de tudo já dito, uma das grandes fraquezas do jogo de Jordan era seu arremesso de três pontos. Ele não era ruim arremessando à distância, mas, considerando todos os seus outros fundamentos, talvez fosse a parte mais fraca do seu jogo. Ainda assim, na temporada regular de 1995-96, Michael Jordan teve 43% de aproveitamento nos arremessos de trás do arco, em 260 tentativas. Esse percentual é melhor do que qualquer temporada dos astros: Reggie Miller (42%, 382 tentativas), Kevin Durant (42%, 230 tentativas), LeBron James (41%, 254 tentativas), Damian Lillard (39%, 554 tentativas), James Harden (39%, 292 tentativas), Kobe Bryant (38%, 324 tentativas), Allen Iverson (35%, 275 tentativas), Russell Westbrook (34%, 583 tentativas) e Dwyane Wade (33%, 261 tentativas).

Na conclusão da sua última temporada no colegial, Michael Jordan marcou 30 pontos no Mc Donald`s All-American Game, na época, novo recorde de pontuação no evento e que só foi batido 18 anos depois. Mesmo assim, Jordan nem ganhou o prêmio de MVP da partida. Adrian Branch, pelo Leste, e Aubrey Sherrod, pelo Oeste, ganharam um co-MVP, com 24 pontos e 19 pontos, respectivamente.

Atletas do Mc Donald's All-American Game posando para foto, em 1982. Michael Jordan (camisa número 15) fez 30 pontos mas não foi eleito melhor em quadra (Foto: Pinterest).

E, antes de continuarmos, vamos aprender um pouco sobre um dos feitos mais raros da história da NBA. Liderar um time a um título e liderar a liga em pontuação, na mesma temporada. Excluindo Michael Jordan, esses são os jogadores que já conseguiram esse feito na história: Joe Fulks (1947), George Mikan (1950 e 1951), Kareem Abdul-Jabbar (1971) e Shaquille O'Neal (2000).

Entendeu? Pouquíssimos jogadores conseguiram isso. Excluindo Jordan, apenas quatro atletas na história da NBA venceram um título e foram cestinha da liga na mesma temporada. Agora, vamos descobrir em quais temporadas Michael Jordan conseguiu esse feito: 1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998. É... Michael Jordan venceu um título e foi cestinha da liga mais vezes do que todos os outros jogadores da história da NBA juntos. Reflita.

Embora o pequeno Michael Jeffrey Jordan tenha sido criado na Carolina do Norte, ele nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, o que poucos sabem. Brooklyn é possivelmente um dos melhores locais de nascença de jogadores da NBA. De todos os jogadores profissionais nascidos lá, dez entraram para o Hall da Fama: Michael Jordan, Bobby Wanzer, Carl Braun, Lenny Wilkins, Connie Hawkins, Billy Cunningham, Roger Brown, Red Holzman, Bernard King e Larry Brown. 19 se tornaram All-Stars. Além dos dez já citados: Rudy Laruso, Bob Kauffman, Carmelo Anthony, George Thompson, Doug Moe, Stephon Marbury, Tony Jackson, Mark Jackson e Max Zaslofsky. E, ainda falando dos nascidos em Brooklyn, totalizam eles uma enorme quantidade de 26 títulos da NBA vencidos.

Uma vez que a família de Michael se mudou para a Carolina do Norte, o resto é história. Como no Colégio Laney, que o pequeno Michael, em seu último ano de colegial, fez sua melhor imitação de Oscar Robertson e teve um triplo-duplo de média na temporada, com 29 pontos por jogo, vale ressaltar.

Acho que podemos dizer que MJ era muito bom em fazer cestas na NBA também, já que nas suas 13 temporadas com os Bulls, Michael Jordan foi cestinha da liga (10 vezes) quase a mesma quantidade de vezes do que todos os jogadores ainda em atividade na NBA (11 vezes): Kevin Durant (4), James Harden (2), Russell Westbrook (2), Carmelo Anthony (1), Stephen Curry (1) e LeBron James (1). Pensem um pouco nisso. De todos os jogadores ativos na liga hoje, temos 11 títulos de pontuação. Michael Jordan conseguiu 10 sozinho, em 13 temporadas.

A maioria dos fãs sabe bem que Michael Jordan era um grande admirador, mentor e amigo de Kobe Bryant. Mas o que algumas pessoas não sabem é que Jordan também é um grande fã de Allen Iverson. O astro já admitiu que assistiu o documentário de Allen Iverson três vezes e que chorou em todas, dizendo: "eu amo aquele baixinho".

Michael Jordan (esquerda) abraça Allen Iverson (centro), em 2001 (Foto: Epicbuzzer).

E falando de caras que Jordan tem uma admiração, um dos grandes heróis ocultos da carreira do craque foi seu personal-trainer, Tim Grover. Tim era tão obcecado em fazer que Michael sempre estivesse no ápice da sua forma física, que ele assistia todos os jogos do astro novamente, para contar quantos passos Jordan deu em quadra, além de em qual direção seus passos foram dados, para garantir que ele saberia em qual parte do corpo Michael teria dores, como seu corpo estava e quais exercícios de regeneração fazer no dia seguinte. O que, em longo-prazo, salvou Jordan de lesões mais serias e pancadas mais duras.

O conteúdo usado no documentário "O Arremesso Final" estava deixado de lado, sem ser utilizado e sem ser visto, durante anos, porque Michael Jordan se recusava a dar permissão para o uso. Isso aconteceu até o Cleveland Cavaliers, de LeBron James, vencer o título da NBA de 2016, virando a série final contra o Golden State Warriors. Em 22 de junho daquele ano, exatamente no mesmo dia do desfile de campeão dos Cavs, Michael Jordan finalmente concordou em liberar as fitas para a produção do documentário. Coincidência ou um sentimento de trono ameaçado? Vocês decidem.

E ainda se aproveitando do assunto, o documentário "O Arremesso Final", na página de Michael Jordan, no site Basketball Reference, você pode achar um guia de espectador para assistir ao documentário. Um resumo, com tudo incluso, da corrida para o último título dos Bulls, em 1997-98. Incluindo todos os jogos, todas as jogadas e até (acreditem) todos os arremessos que foram dados pelo Chicago Bulls naquela temporada histórica. Essa é uma página incrivelmente detalhada para você fazer referências enquanto assiste ao documentário. Então, seja você um nerd de estatísticas ou se está apenas interessado em detalhes mais específicos por trás da história, recomendo altamente que você cheque esta página.

Dennis Rodman (esquerda), Scottie Pippen (centro) e Michael Jordan (direita), o trio icônico que deu o título histórico de 1997-98 ao Chicago Bulls (Foto: Terceiro Tempo).

Assista ao documentário "O Arremesso Final", todo domingo, na ESPN ou Netflix. Vá ainda mais longe, mais fundo, na ilustre e divertida carreira de Michael Jordan. Não, isso não é um merchandising pago para o documentário, mas ele é realmente muito bom. Mas, se a ESPN estiver lendo isso, eu não seria nada contra. 


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