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Entenda as polêmicas envolvidas na venda do Newcastle

Por: Aloysio Petitinga e Marcelo Noia



Montagem do príncipe herdeiro e do clube britânico. Foto:eurasiareview.com/

Em meio a pandemia do Covid-19, o novo coronavírus, uma notícia mexeu com a Premier League: o Newcastle estaria para ser vendido. Após 13 anos no comando do clube centenário, Mike Ashley, atual proprietário, teria acertado a venda dos Magpies para um fundo de ações ligado a Arábia Saudita, por 300 milhões de libras (R$ 1,96 bilhão).

Entretanto, alguns problemas foram destacados. O fundo de investimento teria como sócio majoritário o príncipe Mohammed Bin Salman, o que causou diversos debates e insatisfações, incluindo a da Anistia Internacional. Os problemas são as acusações contra a Arabia Saudita, que é acusada de violar os direitos humanos na Guerra do Iêmen, além de, recentemente, o príncipe herdeiro estar envolvido na morte do jornalista Jamal Khashoggi dentro de sua embaixada na Turquia.

Além disso, o governo inglês também demonstrou insatisfação. A suspeita de transmissões ilegais da Premier League para o Oriente Médio, pelo canal BeoutQ, irritou e levou o governo a investigar a acusação. Em entrevista a "BBC", Clive Betts, membro do parlamento Britânico e presidente do Grupo Parlamentar do Futebol foi contundente: "Por que você assina contratos e paga para ter os direitos de uma transmissão, se tem outros canais passando de graça? Isso prejudica toda a Premier League. É uma acusação de roubo de três anos dos direitos de transmissão". Contudo, a emissora do país saudita, Arabsat, negou rapidamente as acusações realizadas.

Essa questão gerou atrito com a beIN Sports, que já solicitou uma investigação sobre esse possível esquema de pirataria e avisou que poderá reconsiderar a parceria com o campeonato inglês, caso os jogos continuem sendo pirateados. A emissora, sediada no Catar, é a que mais investe na competição, o que piora a situação, uma vez que o seu país sede não possui relações diplomáticas com a Arábia Saudita.

Protesto da Anistia Internacional, na Europa (Foto: Divulgação/ Anistia Internacional)

Declarações 

Além das questões citadas, a Anistia Internacional pontua outra violação aos direitos humanos por parte da Arábia Saudita: a condenação de 184 pessoas a pena de morte. A diretora britânica da ONG, Kate Allen, ainda enviou uma carta para o presidente da Premier League, Richard Masters, falando sobre os perigos de aliar a imagem da competição a monarquia saudita. 

"Enquanto estas questões (os direitos humanos na Arábia Saudita) não forem resolvidas, a Premier League corre o risco de ser usada por aqueles que querem seu prestígio e glamour para cobrir ações profundamente imorais".

Além de Allen, Yousef Al-Obaidly, executivo-chefe da beIN Sports, também enviou uma carta para a organização que coordena a principal competição do futebol inglês. No documento, a emissora afirma estar "profundamente preocupada". Além disso, o CEO da empresa do Catar reforçou o problema com a transmissão ilegal das partidas.

"(...) Quando a temporada da Premier League recomeçar nos próximos meses, todo o conteúdo das emissoras da liga continuará disponível prontamente e ilegalmente por meio da funcionalidade dos decodificadores de streaming da BeoutQ, vendidos em quantidades significativas na Arábia Saudita e nos EUA, e também no Oriente Médio e no norte da África (...)".

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