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A epopeia europeia do Chelsea

Por: Aloysio Petitinga e Marcelo Noia

O título da Champions League marcou o maior momento da história do Chelsea (Foto: Reuters)

Caminhada


Após passar pelo Zurich, nos playoffs da Champions, os Bávaros lideraram o grupo com Manchester City, Napoli e Villarreal. Posteriormente, o Bayern passou pelo Basel, nas oitavas, e pelo Olympique de Marselha, nas quartas. Já na semifinal, duelo complicado contra o Real Madrid e classificação nos pênaltis. 

Do outro lado, o Chelsea também liderou seu grupo, que contava com: Valência, Leverkusen e Genk. Nas oitavas, eliminou o Napoli e nas quartas, passou pelo Benfica. Por fim, despachou o Barcelona de Pep Guardiola, em um duelo histórico.



Veja a final completa no site do próprio Chelsea.

O jogo 

Sem contar com Luiz Gustavo, Alaba e Badstuber, Jupp Heynckes escalou o seguinte time para a final: Neuer; Lahm, Boateng, Tymoshchuk e Contento; Kroos, Schweinsteiger, Robben, Müller, Ribéry; Gómez. 

Do outro lado, Roberto Di Matteo também possuía uma grande lista de desfalques: Terry, Ivanovic, Raul Meireles e Ramires. Com isso, o italiano optou por escalar o seguinte time: Cech; Bosingwa, Cahill, David Luiz e Ashley Cole; Obi Mikel, Lampard e Mata; Kalou, Bertrand e Drogba.

No andamento da partida, do lado Bávaro, Olic entrou no lugar de Ribéry e Muller deu lugar a Van Buyten. Em contrapartida, Fernando Torres entrou na vaga de Kalou, enquanto Bertrand foi substituído por Malouda.

Primeiro tempo 

Após o apito inicial, não demorou muito para que os desenhos táticos de cada time ficassem evidentes. Enquanto os alemães buscavam pressionar, os ingleses colocavam quase o time inteiro atrás da linha da bola, para tentar segurar o ímpeto do adversário. Assim como na semifinal contra o Barcelona, apenas Drogba se posicionou de maneira mais avançada. 

Com poucos espaços para atacar, os Bávaros optaram pelas finalizações de fora da área, além das jogadas individuais. Contudo, poucos foram os lances de perigo nos 20 minutos iniciais. Acoado no campo de defesa e sem saídas para o ataque, os comandados de Roberto Di Matteo recorreram a diversos lançamentos, que pouco surtiram efeito.

A primeira boa chegada da partida só ocorreu aos 21', com Robben. O holandês recebeu passe na esquerda, passou por Mikel e contou com um belo corta luz de Ribéry, que segurou a marcação de Bosingwa. Na sequência, o camisa 11 finalizou antes do bote de Cahill e obrigou o arqueiro tcheco a realizar uma importante defesa com o pé - na sequência, a bola ainda tocou no travessão antes de sair.


Enquanto Schweinsteiger organizava as jogadas do Bayern, Kalou muitas obrigações defensivas durante a partida (Foto: Oliver Behrendt/ullstein bild via Getty Images)

Para se ter ideia, aos 25 minutos, eram seis finalizações do Bayern contra nenhuma do Chelsea. Contudo, a partir dos 30', os times passaram a ceder mais espaços. Aos 33', o clube londrino finalizou pela primeira vez, mesmo sem levar perigo: Mata cobrou falta sobre o gol de Neuer. Dois minutos depois, Contento avançou pelo corredor esquerdo e deu um excelente cruzamento para Muller. O camisa 25, da marca do pênalti, pegou de primeira e finalizou ao lado do gol. Já aos 37', a primeira boa jogada construída pelo Chelsea. 

Após acelerar pelo meio, Mata tocou para Bertrand na ponta esquerda. O inglês cruzou para Drogba e o marfinense, fazendo o pivô, escorou para Lampard, na meia-lua. De primeira, o camisa 8 rolou para a direita e achou Kalou, que entrou na área e finalizou para a defesa de Neuer. 

O último bom momento do primeiro tempo saiu dos pés de Gómez, aos 42'. Após não conseguir dominar o passe de Robben, Muller viu Mário Gómez ficar com a sobra de bola, dentro da área. Com um belo drible de corpo, o centroavante limpou Cahill, mas finalizou mal e, da marca do pênalti, isolou uma ótima oportunidade. 

Apesar da blitz alemã, o primeiro tempo terminou com o placar zerado. 

Segundo tempo 

Na etapa complementar, uma partida morna. Com bastante disposição de ambos os lados e pouca técnica, os lances de perigo foram escassos nos 45 minutos finais. Um dos poucos ocorreu aos sete, quando Ribéry, em impedimento, aproveitou a finalização de Robben que havia sido desviada pela defesa. Sem titubear, o bandeirinha assinalou a posição irregular.

Posteriormente, o que se viu foi mais do mesmo: tentativas de contra-ataques dos Blues e finalizações, sem levar sustos, dos Bávaros. Contudo, aos 38', o placar foi inaugurado. Após receber passe na ponta esquerda, Schweinsteiger cruzou na segunda trave e achou Muller, sozinho. O atacante cabeceou para o chão e viu a bola tocar no travessão, antes de entrar.


Muller aproveitou a bobeira de David Luiz e Ashley Cole, para abrir o placar (Foto: Getty Images)

Imediatamente, a empolgação tomou conta do lado vermelho da arquibancada e a cautela, de Jupp Heynckes. O treinador trocou Muller pelo zagueiro Van Buyten, buscando segurar o placar. Entretanto, o futebol demonstrou a sua magia.

Entretanto, aos 43', após jogada na linha de fundo, Fernando Torres conseguiu um escanteio. Na cobrança de Mata, Drogba se antecipou na primeira trave e mandou uma verdadeira bomba de cabeça, para empatar a final. No reflexo, Neuer ainda tocou na bola, mas não evitou o gol do marfinense, que levou a partida para a prorrogação.


Após Lahm não conseguir cortar, Drogba antecipou Boateng e igualou o placar (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images Europe)

Prorrogação 

Assim como o final do jogo, a prorrogação começou eletrizante. Logo aos dois minutos, Drogba, o herói do empate, cometeu um pênalti bobo em Ribéry. Na cobrança, Robben bateu cruzado, mas parou em Cech, que defendeu em dois tempos. Euforia inglesa e decepção dos alemães, que não diminuíram o ritmo, mas não voltaram a assustar o Chelsea, nos 15 minutos iniciais. 

Robben lamentou bastante o pênalti desperdiçado (Foto: AFP)

Já no tempo complementar, outro susto para os Blues, também aos dois minutos. Quase do meio de campo, Lahm arrancou, passou por Fernando Torres e levantou a bola na área. Após passar por todo sistema defensivo do Chelsea, a bola parou somente na finalização de Olic, que fechou na segunda trave e bateu cruzado. Caprichosamente, o arremate tirou tinta da trave e saiu pela linha de fundo. 

Na sequência, aos seis, a última boa chance da partida. Pela direita, Lahm tocou para Robben e entrou na área. O holandês devolveu com perfeição e deixou o companheiro de cara com Cech. Antes do goleiro abafar, o lateral tocou para trás e achou Gómez, que finalizou sem goleiro, mas foi travado por Cahill. Na sobra, David Luiz mandou para escanteio e afastou a pressão.

Por fim, enquanto o time londrino se satisfez com o empate, o Bayern ainda tentou, mas não evitou os pênaltis. 

Pênaltis 

Para inaugurar a série de cobranças, Lahm bateu no canto direito e abriu o placar - o arqueiro tcheco ainda raspou na bola. 1x0. Na sequência, Mata bateu no mesmo canto e viu Neuer defender. 1x0.


Na primeira cobrança do Chelsea, Mata parou em Neuer (Foto: Alex Livesey/ Getty Images Europe)

O próximo foi Mario Gómez, que repetiu o lado das cobranças anteriores e ampliou a vantagem. 2x0. Posteriormente, David Luiz deslocou o goleiro alemão e fez o primeiro do Chelsea. 2x1

O terceiro dos Bávaros foi.. Neuer! Com bastante confiança, o camisa 1 finalizou no canto esquerdo e manteve os 100% de aproveitamento do Bayern. 3x1. Do lado inglês, Lampard foi o escolhido da vez. Com uma pancada no meio, o capitão não deu chance para o goleiro. 3x2

Na sequência, o início da derrocada alemã. Olic bateu no canto direito e Cech foi buscar - foi a primeira defesa do arqueiro, que havia acertado todos os cantos nas cobranças anteriores. 3x2. Do outro lado, Cole também bateu na direita e empatou a série. 3x3

Para fechar a sequência, Schweinsteiger. Na cobrança, o ídolo do Bayern bateu mal, acertou a trave e desmoronou. - na semifinal, contra o Real Madrid, também resolvida nos pênaltis, ele havia convertido o pênalti da classificação. 3x3. Por fim, coube a Drogba decidir a série. Com bastante frieza e tranquilidade, o marfinense deslocou Neuer, calou o paredão de torcedores alemães e enterrou o fantasma de 2008. 3x4

Drogba deslocou Neuer para concretizar a maior conquista da história do Chelsea (Foto: Alex Livesey/ Getty Images Europe)

Os destaques 

Durante os 120 minutos jogados, dois nomes chamaram bastante atenção: Franck Ribery e Petr Cech. O goleiro tcheco foi responsável por inúmeras defesas decisivas, incluindo o pênalti cobrado por Robben, na prorrogação. Além disso, o arqueiro também defendeu a batida de Olic, na disputa. Do outro lado, Ribéry participou ativamente da partida. O francês, inicialmente, começou atuando pela ponta esquerda, mas o que se viu foi um jogador presente em todos os setores do ataque, impondo uma movimentação fundamental para o andamento do sistema do Bayern. 

Do céu ao inferno 

Nesse ponto, o que foi visto em campo não deixa dúvidas: enquanto Didier Drogba seguiu um roteiro, Arjen Robben fez exatamente o inverso. O holandês, junto com Ribéry, não dava sossego aos defensores do Chelsea e consequentemente, foi o responsável direto por diversas oportunidades criadas - incluindo uma finalização, que parou somente em Cech e na trave. Contudo, no tempo extra, o camisa 11 desperdiçou um pênalti. 


Drogba consolou Robben, após o apito final (Foto: Oliver Behrendt/ullstein bild via Getty Images)

Já Drogba, não teve uma atuação de destaque, até o final do jogo. Com poucas oportunidades durante os 120 minutos, o marfinense sofreu com a baixa produção ofensiva dos Blues. Entretanto, o centroavante foi o responsável por empatar a partida. Pouco tempo depois, ele voltou a atrair os holofotes do confronto: cometeu pênalti bobo em Ribéry - para a sua sorte, como já falamos, a penalidade foi desperdiçada. Por fim, Drogba voltou a ser herói. Após a série de pênaltis cobrados, o atacante ficou com a cobrança decisiva e não desperdiçou. 

Deixou a desejar 

Artilheiro do time e vice-artilheiro da edição, com 12 gols, Mario Gómez teve uma atuação bastante apagada na grande final. No primeiro tempo, apesar da boa jogada de corpo, quando limpou Cahill, o alemão terminou finalizando muito mal e isolou, da marca do pênalti, a oportunidade. Na segunda jogada, o centroavante finalizou travado com o próprio Cahill e não conseguiu concluir a chance criada por Lahm.

Nas entrelinhas

Enquanto o time inglês buscava os contra-ataques e forçava diversos lançamentos, o Bayern optou pela construção rápida e dinâmica das jogadas. Ribéry e Robben não mantinham posições fixas e transitavam por todo os setores do ataque Bávaro. Além deles, Muller, que atuou como um segundo atacante, também se movimentou bastante durante a partida. Já Mario Gómez, permaneceu mais preso na área. 


Apesar de funcionar como segundo atacante, Müller caiu bastante pelos lados (Foto: Chelsea TV)
Enquanto Müller caiu pela direita, dobrando com Ribéry, Robben ocupou a faixa central (Foto: Chelsea TV)


Enquanto Gómez estava na área e Müller na meia-lua, Robben saiu do lado direito e veio para o lado esquerdo, junto com Ribéry (Foto: Chelsea TV)

Em mais um ataque, Robben se posicionou do lado de Ribéry (Foto: Chelsea TV)
Outra parte importante da partida pôde ser vista na participação dos laterais. Enquanto Contento dava profundidade ao ataque dos alemães, Lahm, além de chegar a linha de fundo, também participou bastante da construção de jogadas por dentro. Além disso, enquanto um avançava, o outro permanecia na defesa. 


Contento deu bastante profundidade para o ataque do Bayern (Foto: Chelsea TV)

No momento em que Lahm estava atacando, Contento guardou posição (Foto: Chelsea TV)
Enquanto Müller se posicionou pela direita, Lahm deixou o corredor e atacou por dentro (Foto: Chelsea TV)

Já na construção de jogadas, a dupla Kross e Schweinsteiger ditava o ritmo da saída de bola. Entretanto, enquanto Kross saía mais para o jogo, Schweinsteiger permanecia entre os zagueiros para auxiliar o início das jogadas. 


Com Schweinsteiger avançado, foi a vez de Kross ajudar na saída de bola (Foto: Chelsea TV)

Nesse momento, Schweinsteiger auxiliou a saída de bola do clube alemão
Do outro lado, o Chelsea optou por se defender no 4-4-2. A primeira linha era formada pelos zagueiros e pelos laterais. Já a segunda, era preenchida por Mikel e Lampard, acompanhados por Kalou, pela direita, e Bertrand, pela esquerda. Por último, Mata e Drogba tentavam atrapalhar a saída de bola do Bayern. 


Drogba e Mata fechavam a linha do 4-4-2, buscando atrapalhar a saída de bola do adversário (Foto: Chelsea TV)

Com uma atuação pautada no sistema defensivo, os Blues não abriram mão do 4-4-2, enquanto não tomaram o gol (Foto: Chelsea TV)

Após o gol sofrido, os Blues mudaram a estrutura tática. Torres, que também caía pelos lados, passou a atuar no comando do ataque com Drogba, enquanto Lampard, Mata e Malouda se posicionavam mais atrás - além do trio, Mikel ocupava a cabeça de área. Por fim, os laterais e zagueiros ocupavam a primeira linha.


Após sofrer o gol, o Chelsea passou a ter cinco jogadores buscando o ataque: Torres e Drogba, além de Malouda, Lampard e Mata (Foto: Chelsea TV)

Além de ocupar a faixa central, Fernando Torres também caiu pelos lados. Além disso, Lampard passou a infiltrar mais na área (Foto: Chelsea TV)

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