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Santos: O bicampeonato da máquina guiada pelo Rei

Por: Marcelo Noia


O inesquecível Santos de Pelé e companhia foi bicampeão continental, em plena Bombonera (Foto: Divulgação/ Santos)

Formato da competição

Quarta edição da competição, a Libertadores de 1963 teve a participação de oito campeões nacionais da América do Sul: Alianza Lima (PER), Millonarios (COL), Everest (EQU), Peñarol (URU), Boca Juniors (ARG), Olímpia (PAR), Universidad do Chile (CHI) e do Santos, que entrou apenas nas semifinais. Além desses, o Botafogo, que foi vice-campeão brasileiro em 1962, ganhou a vaga, devido ao título do Santos, que também havia sido o vencedor competição continental e já estava garantido na edição de 1963.

Os clubes se dividiram em três grupos, dois com três equipes e um com duas, no qual o líder de cada chave, avançava para as semifinais. Posteriormente, a semifinal era disputada em jogos de ida e volta. Por fim, a final seria decidida em uma melhor de três.

O ano do Santos

Vindos de uma temporada perfeita em 1962, quando ganhou o Paulistão, a Taça Brasil, a Libertadores e o Mundial, sobre o Benfica, o time comandado por Pelé chegou em 1963 com grandes expectativas e só não repetiu o feito por conta do Palmeiras. Com uma campanha bastante irregular, Pelé e companhia ficaram com a terceira colocação e viram a Primeira Academia do Palmeiras brilhar e levar o título, impedindo o tetracampeonato estadual.

Já no Brasileirão, o elenco santista confirmou o favoritismo. Reeditando as finais de 1959 e 1961, contra o Bahia, o time paulista não teve dificuldades para bater o Tricolor - na ida, 6x0, e na Fonte Nova, 2x0. A conquista marcou o terceiro título de cinco seguidos do Peixe, na competição. 


O jornal, Folha de São Paulo, destacou o 4x0 santista, em 1963 (Foto: Folha de São Paulo)

Além disso, na Libertadores, o Santos também não teve problemas para confirmar o bicampeonato: foram três vitórias e um empate, nas quatro partidas disputadas. Na semifinal, o clube paulista eliminou o Botafogo de Manga, Nilton Santos, Zagalo e Garrincha, com direito a um sonoro 4x0, no Maracanã - nessa partida, Pelé balançou às redes em três oportunidades. Por fim, o Santos ainda voltou a faturar o Mundial, dessa vez, sobre o Milan, por 4x2, depois de sair perdendo por 2x0.

O ano do Boca Juniors

Então campeão nacional, o Boca chegou na Libertadores de 1963 com esperança de conquistar seu primeiro troféu da competição. Na fase de grupos, os Xeneizes ganharam três jogos e perderam um, garantindo a primeira colocação na chave, que contava com o Olímpia e a Universidad de Chile. 

nas semifinais, o clube argentino eliminou o poderoso Peñarol, que já havia conquistado duas vezes o torneio, com duas vitórias: 2x1, em Montevídeo, e 1x0, na Bombonera. Entretanto, na grande final, o time não páreo para o lendário Santos de Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe e perdeu por 3x2, no Maracanã, e por 1x2, em Buenos Aires.

A final


Na Bombonera, o Santos do lendário Zito, conseguiu uma das maiores viradas da sua história (Foto: Divulgação/ Santos)
Quarta-feira, 4 de setembro de 1963, Maracanã. Mais de 63 mil pessoas foram ao templo do futebol brasileiro para prestigiar a primeira partida da decisão entre Santos e Boca Juniors. Dentro de campo, as pessoas puderam presenciar grandes atuações.

Logo aos dois minutos, o fulminante ataque santista tabelou pela ponta direita e após o passe para dentro da área, Coutinho apenas teve o trabalho de completar para às redes. Em seguida, aos 21', Coutinho voltou a marcar. Após receber passe na entrada da área, o atacante soltou uma bomba e não deu chances para o arqueiro argentino. Sete minutos depois, aos 28', Lima recebeu na direita do ataque e ampliou as vantagem dos brasileiros.

Ainda no primeiro tempo, aos 44', o artilheiro Sanfillippo descontou para os visitantes. Depois de receber uma bola esticada, o artilheiro saiu de cara com Gylmar e finalizou rasteiro. Já na etapa final, aos 44', novamente ele, Sanfillippo, tabelou na entrada da área e finalizou no cantinho, diminuindo o prejuízo dos Xeneizes, que não conseguiram empatar.

Na partida de volta, uma semana depois, 85 mil pessoas lotaram a Bombonera para empurrar o Boca e tentar forçar o confronto derradeiro, entretanto, o Santos voltou a vencer. Depois de um primeiro tempo bastante truncado e com poucas oportunidades, logo no minuto inicial da etapa complementar, Sanfillippo aproveitou o erro cometido por Gylmar e Mauro, que se chocaram tentando afastar a bola, e apenas empurrou a bola para o fundo das redes.



Em meio ao êxtase que tomou conta do caldeirão argentino, o time paulista, considerado por muitos um dos melhores da história, voltou a mostrar o motivo de ser tão marcante. Três minutos depois ao gol sofrido, Dorval interceptou o tiro de meta mal cobrado pelo goleiro Errea e tocou para Pelé. Sem titubear, o camisa 10 rapidamente rolou para Coutinho, que bateu seco e empatou o marcador.

Posteriormente, aos 37', Coutinho arrancou pela esquerda e achou Pelé na meia-lua. De frente para o marcador, o maior artilheiro da história do futebol foi para cima do zagueiro, passou a bola por baixo das pernas do marcador e finalizou na saída do goleiro, para virar o placar e decretar o bicampeonato do Peixe.

Ainda segundo relatos, incluindo de atletas do Santos, o clube brasileiro enfrentou uma verdadeira guerra na Argentina. Além dos insultos racistas, os torcedores Xeneizes ecoavam nas arquibancadas do estádio que os atletas brasileiros "não sairiam vivos". Já dentro de campo, é válido destacar as diversas entradas duras de ambos os lados - totalmente passíveis de vermelho, atualmente - uma vez que os cartões não existiam.

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