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Corinthians: A invicta libertação alvinegra

Por: Aloysio Petitinga

O capitão Alessandro foi o encarregado de erguera primeira Libertadores do Corinthians (Foto: Helio Suenaga/LatinContent/Getty Images)


Contexto Histórico



Em meio a uma série de denúncias, 18º presidente da história da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, se afasta da presidência. Ricardo, que na época tinha 64 anos, teve que se afastar por problemas de saúde: Cardíacos, diabetes e hipertensão. Quatro dias depois, o dirigente entrega o comando para um dos vice na era: José Maria Marin. 


No dia 1º de janeiro, completou 1 ano de governo da primeira Presidente mulher do Brasil: Dilma Rousseff.

Ano do Corinthians 

O Timão, que começou bem o ano, fazendo seu papel na primeira fase do Paulistão, ficou invicto até a 12ª rodada, quando perdeu para o Santos - futuro campeão estadual de 2012. Foram 14 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, em 19 rodadas. Entre os triunfos, vieram resultados positivos contra Palmeiras, por 2x1, e contra o São Paulo, por 1x0, ambos no Pacaembu.

Contudo, a equipe não conseguiu manter os bons resultados alcançados na primeira fase e foi eliminado nas quartas de final para a Ponte Preta, por 2x3, em jogo único realizado no Pacaembu. Já no Campeonato Brasileiro, o clube ficou na sexta colocação, vendo seu grande rival, o Palmeiras, ser rebaixado para a Série B. Na competição, o Timão ficou com 57 pontos, tendo 15 vitórias, 12 empates e 11 derrotas. Além disso, a equipe marcou 51 gols e sofreu 39.

Ano do Boca Juniors

Em 2012, os Xeneizes tiveram um final de temporada quase perfeito. Finalizando a temporada 11/12, devido ao calendário do futebol argentino, a equipe do então camisa 10, Riquelme, foi campeã da Copa da Argentina e do Campeonato Argentino.

Na Libertadores, o Boca teve um aproveitamento de 75% durante a fase de grupos, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. A equipe estava no grupo com Fluminense, Arsenal de Sarandí, além do Zamora, e acabou se classificando para as oitavas sendo o melhor segundo colocado. 


No Engenhão, o Boca empatou por 1x1 com o Fluminense e despachou o time carioca (Foto: AP)

Nas oitavas de final, os Xeneizes venceram a Unión Española nos dois jogos e voltaram a enfrentar o Fluminense, dessa vez pelas quartas. Na Bombonera, os argentinos ganharam por 1x0 e na partida de volta, seguraram o empate por 1x1. 

Posteriormente, o Boca enfrentou a Universidad de Chile, treinada por Jorge Sampaoli, e repetiu o roteiro da fase anterior. Em Buenos Aires, uma vitória sólida por 2x0 e na volta, outro empate, dessa vez sem gol.

Fase de grupos

No grupo 6, o Corinthians, que começou conturbado, se organizou e conseguiu sua classificação para as oitavas de final de maneira tranquila. Na estreia, o Timão complicou um jogo que, na teoria, era fácil, contra o Deportivo Táchira, na Venezuela. Conseguiu um empate graças a um gol de cabeça, anotado por Ralf, no último lance da partida.

O grupo teve uma turbulência maior fora de campo do que dentro dele: Adriano. Após bater o Nacional (PAR), pelo placar de 2x0, no Pacaembu, a equipe viajou para o México, onde enfrentou o Cruz Azul. E, enquanto isso, na capital paulista, Adriano, que havia sido contratado como estrela e inscrito na competição como camisa 10, foi dispensado. No México, o clube brasileiro empatou sem gols e terminou o primeiro turno da fase de grupos com 5 pontos. 


Danilo foi nome fundamental na campanha do Corinthians, em 2012 (Foto: Gazeta Press)

Já no segundo turno da fase de grupos, o clube obteve 100% de aproveitamento, vencendo o Cruz Azul, por 1x0, e Nacional, por 3x1, além de golear o Táchira, por 6x0. Em seis partidas, foram quatro vitórias e dois empates, sendo 13 gols marcados e somente dois sofridos (um para o Táchira e um para o Nacional)  – aproveitamento de 77,8% dos pontos, ficando com a primeira colocação do grupo e a segunda melhor campanha geral, com 14 pontos, perdendo apenas para o Fluminense (15).

Oitavas 

No primeiro mata-mata, a expectativa cresceu, tanto pela boa campanha na fase inicial, quanto pela eliminação no Paulistão, alguns dias antes. Tite, treinador do clube na época, que não queria enfrentar um outro brasileiro nas oitavas, conseguiu. O Emelec (EQU) foi o rival. Na primeira partida, empate sem gols, em Guayaquil. Já na volta, uma vitória tranquila do clube paulista, por 3x0, no Pacaembu. Os gols foram marcados por: Fábio Santos, aos 7’ da primeira etapa, Paulinho, aos 19’ do segundo tempo, e Alex, aos 40'.

O Alvinegro tinha desde aquele momento um novo jeito de jogar. Com os centroavantes do elenco em baixa (Liedson e Elton), o treinador optou por alterar o esquema tático, abandonando a formação com um centroavante de origem. Posteriormente, Alex e Danilo se revezaram como "falso 9". 

Outra alteração importante foi no gol. Após falhar nas quartas de final do Campeonato Paulista, Júlio César foi para o banco de reservas e deu lugar para Cássio. Pouco utilizado até o momento, o goleiro, que vestia a camisa de número 24 na época, não demorou muito para ganhar a confiança da Nação Corinthiana. Após boas defesas contra os equatorianos, o arqueiro passava de reserva a titular absoluto.

Quartas 

Diferente das oitavas, o desejo de Tite não se realizou e nas quartas de final, o Corinthians teve pela frente o Vasco, o grande rival do clube paulista na campanha do título nacional de 2011. Assim como na fase anterior, um empate sem gols no primeiro jogo. Entretanto, desta vez, a defesa teve que ser decisiva para que o time conquistasse o empate. Na sequência, mais uma decisão no Pacaembu. 


A histórica defesa de Cássio contra Diego Souza (Foto: Agência AP)

Nesta oportunidade, o jogo de volta não seria fácil como o da fase anterior. Em  jogo tenso, Tite foi expulso e teve que passar as instruções da arquibancada. Dentro de campo, novamente a defesa Alvinegra brilhou, em especial, Cássio. Aos 18 min, o goleiro fez a defesa mais bonita e mais importante da Libertadores 2012, salvando uma bola de Diego Souza, cara a cara. Já aos 43 minutos do segundo tempo, o gol do alívio: Paulinho aproveitou o escanteio batido por Alex e testou firme para colocar o Timão nas semifinais.

Semifinal 

Seguindo na competição, novamente o Timão teve um brasileiro pela frente: o Santos. Campeão na edição anterior, o time da Vila Belmiro ainda contava com nomes como Neymar e Ganso. Contudo, o duelo da ida, na Vila, não foi bom para as estrelas do Peixe.
Com uma forte marcação, o clube da capital paulista anulou os principais jogadores santistas e viu Emerson Sheik, com um golaço, aos 28 minutos da etapa inicial, anotar o único gol da partida.

No jogo de volta, tensão total. Neymar, que não tinha ido bem no primeiro jogo, aproveitou o rebote da finalização de Borges e abriu o marcador para o alvinegro praiano, aos 35 min da primeira etapa. O placar, contudo, não durou muito tempo. Logo na volta do intervalo, aos dois minutos, Danilo empatou o jogo e garantiu a classificação corinthiana para a grande final.

Final 

No primeiro confronto, na Bombonera, Boca e Corinthians fizeram um duelo bastante parelho. Com poucas chances claras para ambos os lados, os argentinos chegaram a abrir o placar com Roncaglia, aos 28 minutos do segundo tempo. Entretanto, brilhou a estrela de um desconhecido do futebol brasileiro: Romarinho.

O camisa 31 saiu do banco para, aos 40 minutos, tocar pela primeira vez na bola, encobrir o goleiro Orión e empatar a partida, após receber passe de Emerson Sheik. e garantir o empate por 1 a 1. 

Já no jogo de volta, novamente no Pacaembu, o ambiente, assim como na ida, ficou marcado por muita tensão. Empurrados por quase 40 mil torcedores, o Timão até tentou, mas só resolveu a final no segundo tempo. Depois de contribuir com uma assistência na Bombonera, o camisa 11 marcou os dois tentos que decidiram a competição.




Na bola que abriu o placar, aos oito minutos, Emerson contou com o desvio de Danilo dentro da área para ficar de cara com Orión e finalizar forte, sem dar chances ao arqueiro argentino. Depois, aos 27', o artilheiro alvinegro aproveitou o recuo errado da defesa do Boca e novamente de cara com o goleiro, selou o título mais esperado da história corinthiana.

Em um elenco que ficou conhecido por não ter estrelas, Sheik foi fundamental para o título - o atacante participou diretamente, com gol ou assistência, de quatro gols nos últimos quatro jogos, incluindo dois tentos na partida derradeira.

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