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Dois problemas esquecidos que podem atrapalhar Anthony Davis em L.A.

Por João Dannemann




Enquanto a máquina desgovernada de hype dos Lakers se move em direção à noite de abertura da NBA, duas verdades inconvenientes ainda seguem por baixo dos panos. As duas dizem respeito a Anthony Davis e as duas são pequenos segredos sujos que os fãs dos Lakers não querem abordar.

A primeira verdade é o histórico de lesões de AD. E, mesmo que não seja um segredo tão grande, pode se tornar, pela maneira que a torcida dos Lakers e a mídia estão encobrindo toda a extensão dessa séria questão. Vamos começar trazendo isso em números. Ao longo da sua curta carreira de sete anos, Davis já teve mais de 40 lesões. 

QUARENTA.

Mesmo um fracassado em aritmética mental consegue perceber que é muito em tão pouco tempo. São quase seis lesões por temporada, ou uma por mês, como você prefira. AD tem a mesma relação imprevisível com o basquete, de "juntos de novo, separados de novo", que qualquer casal de ensino médio. Se os números não são suficientemente chocantes, veja abaixo a lista de todas as partes do corpo que Anthony Davis já contundiu:

  • Costas;
  • Peito;
  • Mão;
  • Cotovelo;
  • Pé;
  • Cabeça;
  • Virilha;
  • Tornozelo (esquerdo e direito);
  • Joelho (esquerdo e direito);
  • Dedão do pé (esquerdo e direito);
  • Quadril (esquerdo e direito);
  • Quadríceps (esquerdo e direito);
  • Polegar (esquerdo e direito);
  • Ombro (esquerdo e direito);
  • Dedos da mão (múltiplos).
Só para chocar mais um pouco, vale ressaltar que ele machucou a maioria dessas partes do corpo mais de uma vez. Não é só o puro volume de lesões que preocupa, mas a maneira que elas aconteceram. Contra os Nets, no sábado retrasado (12/10), ele torceu o polegar numa tentativa de toco bastante comum. 

Antes disso, ele já havia deixado um jogo após mergulhar na torcida para salvar uma bola, da mesma maneira que centenas de jogadores já fizeram, machucou a virilha mesmo sem mal se mover ou ser tocado e lesionou o joelho meramente brigando por posição no pivô ofensivo. São só exemplos de coisas que só acontecem com Anthony Davis, um homem fisicamente tão delicado quanto uma girafa recém-nascida. É difícil construir um time que precise de AD, quando ele está sempre fora de quadra dessa forma.

E, em qual outro tipo de indústria seria aceitável que o empregado mais bem-pago (ou segundo mais bem-pago) da companhia, de repente e aleatoriamente fique fora de ação seis vezes por ano, todo ano? Enquanto Davis é raramente deixado de lado por muito tempo, seu período em Nova Orleans mostra que suas ausências são altamente disruptivas, tanto para ele quanto para o seu time.

Quando essas ausências são tão frequentes e alarmantes, existe sempre uma boa chance de que alguma delas chegará em um momento particularmente problemático, como em um essencial jogo de playoffs, por exemplo. A melhor esperança dos Lakers é que grande parte disso seja culpa da comissão técnica dos Pelicans, porque a outra única explicação é que Davis tem o corpo mais frágil que a NBA já viu. 

Na sua entrada na liga, em 2012, o treinador Monty Williams insistia em colocar o seu novato franzino como ala-pivô, sempre junto a algum forte pivô tradicional, com a teoria de que isso pouparia Davis de batalhas contundentes contra os mais imponentes grandalhões da liga. 

Desde então, Davis ganhou 15 quilos de massa muscular, transformando completamente seu corpo ao ponto de que hoje ele é um dos pivôs mais fisicamente absolutos da liga, o tipo de monstro que Williams inicialmente o protegia de enfrentar. E, ainda assim, tantos anos depois, Davis ainda odeia jogar de pivô. Provavelmente, parte disso é porque ele associou na sua cabeça o fato de que jogar de pivô é estar mais apto a lesões.

Mas Davis já demonstrou claramente que vai sofrer com intermináveis pequenas lesões independentemente de posição em quadra, e não existe nenhuma dúvida que os Lakers seriam muito mais letais com ele na posição de pivô, LeBron como ala-pivô e Kuzma como ala. São os seus três atletas mais talentosos e a sua melhor opção em termos de espaço por posição.

Muito é falado em quão bem Davis já jogou junto do seu companheiro grandalhão DeMarcus Cousins, com o diretor geral dos Lakers, Rob Pelinka, trazendo esse ponto já na apresentação do atleta pela franquia em julho desse ano. Mas Pelinka está ignorando convenientemente o fato de que Davis se tornou nuclear no momento em que jogou de pivô, quando Cousins se machucou, provendo energia aos Pelicans para vencer dos Blazers, numa varrida já na primeira rodada, mesmo não sendo favoritos na série.

Parte disso, claramente foi vindo do próprio AD fazendo um claro esforço para carregar os Pelicans depois da ausência de Boogie, mas era mais que claro que ele estava se beneficiando tremendamente com todos os novos espaços que Cousins previamente ocupava em quadra, assim como também se beneficiou todo o sistema dos Pelicans. O time se tornou imensuravelmente melhor com Davis como pivô e arremessadores o cercando. 

Essa é a era da velocidade e do espaço, mesmo assim, na última pré-temporada, Davis estava usando seu balanço com a diretoria dos Lakers para forçar a contratação de gigantes como DeMarcus Cousins, Dwight Howard e JaVale McGee, antes de raciocinar em voz alta sobre as massivas escalações ao lado de um desses jogadores, dividindo o espaço e presumivelmente entupindo o garrafão como um encanamento de estação rodoviária. 

Essa é uma das várias razões do porque decisões técnicas não devem ser tomadas por jogadores.  Às vezes eles não sabem o que é bom para eles, nem para o próprio time. Infelizmente, os Lakers já cederam às demandas de Davis. "Temos que fazer o que é melhor para o corpo dele", Pelinka disse na coletiva introdutória do atleta. "Ter ele indo de encontro aos maiores pivôs do Oeste toda noite não é o que é melhor para seu corpo, para o time e para a franquia". 

Quais exatamente são esses pivôs brutos mesmo? Essa é uma liga tomada por pivôs esguios e dinâmicos, não por monstros incontroláveis como Shaquille O'Neal e Charles Oakley. Davis saindo da posição de pivô é compreensível nas raras ocasiões em que os Lakers forem enfrentar pivôs mais fortes e tradicionais, como Andre Drummond, por exemplo. Mas em todas as outras ocasiões? 

PONHAM ELE NA CINCO!



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