ÚLTIMAS NOTÍCIAS

O Utah Jazz está pronto para ir mais longe?

Por João Dannemann

Rudy Gobert (esquerda) e Donovan Mitchell (direita) são os dois maiores nomes do Utah Jazz na atualidade. (Foto: The J-Notes).

Mesmo que não tenha feito nenhuma contratação de fato estelar nessa janela de agências livres, o Utah Jazz está pronto para fazer uma bela remodelação depois de ter sido eliminado pelo Houston Rockets nos playoffs por duas temporadas consecutivas. Através de trocas e de assinaturas de agentes livres, essa renovação já está sendo feita, no que já é considerada pelos fãs de Utah como a melhor pré-temporada da história da franquia. Mas porque eles contrataram esses jogadores pontuais? E será o suficiente?

Zombem à vontade pela falta de títulos, mas a história prova que o Utah Jazz é consistentemente confiante como franquia. De fato, o hype nunca é tão alto ao redor deles, mas nos últimos 35 anos, de Darrell Griffith a Stockton e Malone, de Deron Williams ao gigante francês Rudy Gobert, o Jazz só teve quatro temporadas com mais derrotas do que vitórias e ficaram de fora dos playoffs apenas oito vezes.

De algum jeito, durante todas essas décadas, o Utah Jazz arranjou uma maneira de se manter bem consistente como franquia e as últimas temporadas contam a mesma história. Defensivamente, são um pesadelo para qualquer ataque. Eles tiveram a menor média de pontos sofridos por posse na última temporada da NBA, com Rudy Gobert e Derrick Favors como principais âncoras nas rotações defensivas. Ainda foi o quarto time que menos sofreu pontos de contra-ataques e foi a segunda melhor defesa geral da liga, ficando atrás apenas do Milwaukee Bucks. Simplesmente é um time insuportável de se enfrentar.

Rudy Gobert (Utah Jazz), melhor jogador defensivo nas últimas duas temporadas da NBA, bloqueando arremesso de John Collins (Atlanta Hawks). (Foto: Sportsnet).

Mas a sua opressão defensiva nem sempre funciona, principalmente quando o Jazz enfrenta os times de ponta da NBA. Diferença defensiva é algo divertido de se explorar, pelo simples fato de que alguns times são significantemente melhores ofensivamente do que as melhores defesas da liga. Por exemplo, o Jazz não é uma equipe que sabe sofrer muitos pontos. Eles venceram apenas 10 de 33 partidas em que sofreram mais de 110 pontos na última temporada e 16 dessas 23 derrotas foram contra times que se classificaram para os playoffs. Em comparação, na mesma situação os Warriors venceram 24 de 44 partidas e os Rockets venceram 17 de 34.

Qualquer time precisa de uma grande defesa para ir longe nos playoffs. Mas também é realmente necessário ter um bom balanço ofensivo. Quando o assunto é enfrentar um adversário de mais qualidade, o Jazz simplesmente precisa pontuar mais e, até a temporada passada, parecia não conseguir. Na série de cinco jogos contra os Rockets, por exemplo, eles só passaram da marca de 100 pontos duas vezes. O problema é claro e o Jazz precisava fazer algo à respeito.

Implorando para pontuar

Então o que você faria? Se você fosse o Utah Jazz e contratar uma superestrela já estivesse fora de cogitação antes mesmo da janela abrir, como você melhoraria a sua versatilidade ofensiva sem comprometer a sua identidade defensiva?

Garantir a troca por Mike Conley foi um excelente primeiro passo. Conley tem 31 anos de idade, apenas três anos mais velho do que Ricky Rubio, o atleta que ele veio para substituir. Mas Conley é mais eficiente e tem muito mais impacto no placar. Ele está muito acima da média quando o assunto é aproveitamento das zonas mortas de três pontos e, para a produção ofensiva que ele é capaz de dar, a sua taxa de erros é muito baixa. Ele também é um bom ladrão de bolas na defesa e é um dos jogadores de mãos mais firmes da NBA. Com certeza, será uma figura sólida dos dois lados da quadra, além de poder ser um mentor fantástico para alguém como Donovan Mitchell, que será discutido mais profundamente mais tarde.

Bojan Bogdanovic (esquerda) e Mike Conley (direita) foram as principais contratações do Utah Jazz nessa pré-temporada da NBA. (Foto: Salt Lake Tribune).

A presença de Mike Conley vai aumentar bastante a capacidade do Utah Jazz de mover a bola ofensivamente, mas a adição de Bojan Bogdanovic ao elenco é tão boa quanto. Bojan é um jogador com um propósito específico em quadra: colocar a bola na cesta. Ele não é uma grande presença na briga por rebotes, ele não é um defensor extraordinário e não é um passador fora do comum. Mas como um arremessador ágil, capaz de abrir espaços sem a bola, ele é uma adição fantástica.

As qualidades ofensivas de Bogdanovic são uma arma totalmente nova para o cinto de ferramentas do treinador Quin Snyder e vão melhorar a identidade de ataque da equipe de Utah. Ele é letal saindo de bloqueios em ambas as direções, situação em que ele registra um aproveitamento de 77%. Além disso, ele têm um extraordinário aproveitamento de 55,1% do flanco esquerdo da linha de três, 44,1% do flanco direito e 42% no geral de três pontos.

No papel, pode se dizer que Ed Davis, outra importante adição do Jazz nessa janela, pode aliviar um pouco da dor de perder Derrick Favors. Mas para aproveitar o máximo que esse novo elenco pode oferecer, a melhor opção talvez seja colocar o próprio Bogdanovic para atuar na vaga de Favors, como ala de força. Apesar de não ser originalmente um ala de força, ele já fez esse papel quando atuava em Brooklyn, em Washington e em Indiana algumas vezes. E, para contrabalancear as fraquezas do croata na defesa e nos rebotes, Rudy Gobert é a peça ideal.

Jeff Green (esquerda) e Ed Davis (direita) também são dois novos rostos importantes em Utah. (Foto: NBA.com).

Se você quer ter um melhor desempenho ofensivo na NBA moderna, ou qualquer outra liga, é preciso possuir criadores e arremessadores variados, para forçar a defesa adversária a tomar decisões difíceis. Cada tipo diferente de arma ofensiva que você possa pôr em quadra, é como pôr oxigênio diretamente no fogo. Trocar a produção ofensiva de Jae Crowder e Ricky Rubio pela produção de Mike Conley e Bojan Bogdanovic é uma enorme vitória para o Utah Jazz.

Agora eles possuem uma excelente dupla de ameaças ofensivas na armação, Conley e Mitchell, com um coadjuvante na ala, com características de armador, Joe Ingles. O que significa que o Jazz terá um grande arsenal de jogadas, dando todo tipo diferente de possibilidades para a defesa adversária lidar. Além disso, eles podem garantir boa consistência de novos jogadores reservas, como Jeff Green e Emmanuel Mudiay. Os torcedores do Utah Jazz devem estar sentindo-se muito bem.

Junto deve vir a "Aranha"

Como todos já sabem, as estrelas são a grande diferença entre ir longe e morrer na praia na NBA. Todo o elenco do Utah Jazz é construído na possibilidade de que eles possam ter uma estrela futuramente. Para uma franquia como o Jazz, fazer boas escolhas de draft e desenvolver jogadores jovens é algo crítico. Ter uma estrela em potencial com contrato de novato, num aberto porém bruto Oeste, é muito do porque o Jazz tem sido tão assertivo na busca de um título.

Garantir um jogador como Mitchell na décima terceira posição do draft em 2017 foi um excelente golpe de sorte. Ele é um jovem de futuro brilhante que superou muito as expectativas na sua primeira temporada, quase vencendo o prêmio de Rookie do Ano. Sua segunda temporada foi boa, mas o quão melhor ele ainda pode ficar? Mitchell é um atleta explosivo e deslumbrante. Suas qualidades dão uma gama enorme de possibilidades e áreas para desenvolvimento.

Donovan Mitchell após ser selecionado no draft de 2017, tirando sua primeira foto como atleta do Utah Jazz. (Foto: NBA.com).

Na sua segunda temporada, Donovan fez 23,8 pontos por jogo, com um aproveitamento bastante eficaz de 49,8% em arremessos gerais. Ele garantiu 4,5 assistências e 4,4 rebotes por jogo, além de ter um aproveitamento de 36% da linha de três. Entre os atletas com menos de 23 anos na NBA, a utilização de Donovan Mitchell em sua equipe foi a terceira maior da liga, atrás apenas de Devin Booker e D'Angelo Russell.

A falta de consistência de arremessos e criação do Jazz, pôs uma grande tensão em cima dos pick and rolls de Donovan nos últimos playoffs. Esse foi o pão com manteiga da equipe durante a temporada regular, já que o Jazz foi o terceiro time com mais pick and rolls na liga, sendo que quase metade deles foram feitos por Mitchell.

Contra os Rockets, um time com defensores corpulentos no perímetro, a efetividade de Mitchell nos arremessos de quadra caiu de 49,8% para apenas 29,8%. Os Rockets iscaram ele a forçar e errar arremessos difíceis de longa distância, conseguiram impedi-lo de finalizar pelos cantos, o deixaram desconfortável atacando o seu jogo de média distância e expuseram suas más tomadas de decisão ofensivas em quadra. Foi uma performance trágica e que revela várias áreas de preocupação.

Donovan Mitchell (Utah Jazz) dando uma enterrada sensacional em cima do pivô JaVale McGee (Los Angeles Lakers). (Foto: USA Today).

Saltos de produção para armadores pontuadores sempre acontecem nessa fase de suas carreiras, normalmente entre as temporadas dois e três ou entre as idades de 22 e 24, mais ou menos. Com a adição de bons jogadores ao seu redor, a sua média de pontuação pode subir de 23 por jogo para 27? Creio que sim. Será que sua média de assistências pode subir de 4,5 para 6,5 por jogo? Bem plausível. Pode a sua eficiência subir na mesma medida em que a sua tomada de decisões evolui? Com certeza pode acontecer e o Utah Jazz tem muita esperança de que irá.

A forma do Jazz que virá

É bem provável que esse será um forte time de temporada regular, possivelmente competindo entre as quatro primeiras posições no Oeste, com sorte e competência, ficando em primeiro ou segundo. Eles estarão recheados de veteranos confiáveis que parecem ter disposição competitiva como atletas.

Ainda assim, são tempos difíceis para se estar no Oeste se você depende das suas armas de perímetro para te salvar. O montante de talento de perímetro na conferência Oeste é insano. Os Clippers dispõem de dois caras que já queimaram o Jazz anterioremente: Kawhi e Paul George. Além de terem o elenco que pode parar qualquer investida ofensiva. Os Rockets são um grande ponto de interrogação esquemático com James Harden e Russell Westbrook, mas e se eles entenderem o funcionamento da dupla?! Será que o Jazz consegue ser bom o suficiente para superar isso?

As superestrelas Kawhi Leonard (2) e Paul George (13) foram apresentadas oficialmente no Los Angeles Clippers na última semana. Na foto, da esquerda para a direita, estão: Lawrence Frank (CEO dos Clippers), Doc Rivers (treinador dos Clippers), Kawhi Leonard, Paul George e Steve Ballmer (dono dos Clippers). (Foto: Yahoo News!).

A maior preocupação para os fãs de Utah é de que possamos estar olhando para um time muito similar ao Atlanta Hawks de 2014-15. Temperado, equilibrado, talentoso, mas faltando aquele algo a mais ofensivo para realmente chegar mais longe. A última vez que um time venceu um título de NBA sem uma verdadeira superestrela no elenco foi em 2004, com o Detroit Pistons.

Mesmo assim, se você gosta de ótimo basquetebol, tenho uma boa suspeita de que o Utah Jazz será bastante divertido de assistir nessa temporada.





Nenhum comentário