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Vitória é, disparado, o time com pior defesa entre os nordestinos das principais divisões

Por: Marcelo Noia


As diferentes formas de lamentação dos jogadores rubro-negros, após sofrerem o gol, reflete o momento defensivo do Vitória (Foto: Betto Jr. / CORREIO)

Instável. Essa é a palavra-chave para definir o sistema defensivo do Vitória. Com 13 gols sofridos na Série B, o Leão teve sua meta vazada em todas as partidas e tem a pior defesa da competição. Outra marca preocupante do clube diz respeito ao âmbito regional: o time Rubro-Negro possui o pior sistema defensivo do Nordeste, levando em consideração apenas a Série A e a Série B.

A conta dessa particularidade se reflete no perfil da equipe e consequentemente, nos treinadores. Claudio Tencati e Osmar Loss, que tem pouco tempo, não conseguiram definir os titulares nesse setor e também não resolveram o problema crônico do Vitória, que segue em queda livre na temporada 2019.

Para se ter uma ideia, o Rubro-Negro baiano ficou entre as cinco piores defesas nas últimas três edições do Brasileirão: a quinta pior em 2016, 53 gols, a segunda pior em 2017, 58 gols e por fim, a pior em 2018, com 63 tentos sofridos. Por outras palavras, essa questão é recorrente e não é exclusividade desse elenco.

Como dito anteriormente, esse defeito é crônico e ligado ao "DNA" do clube, que parece não existir atualmente. Convido-os a responder a seguinte pergunta: qual a marca registrada do Vitória nesses últimos anos? No meu ver, não existe. Nem mesmo aquela característica marcante dos jogadores da base atuando pelo profissional, vimos com frequência nas temporadas anteriores. A opção nas contratações vinha sendo os famosos pacotões de atletas rodados. 

O fator que ilustra essa situação pode ser visto no campo: somente em 2019, oito zagueiros já atuaram no miolo de zaga do Leão. Ramon, Everton Sena, Zé Ivaldo, Gabriel Silva, Edcarlos, Victor Ramos, Bruno Bispo e Thales, são alguns dos defensores que vestiram a camisa rubro-negra nesse ano. Dentre eles, Victor Ramos, Edcarlos, Thales e Bruno Bispo, já saíram do elenco ou já estão fora dos planos.


Queimado com grande parte da torcida, Ramon estreou pelo clube em 2015 e é o maior representante desse caos defensivo do Vitória (Foto: Foto: Tiago Caldas / Arena Rubro-Negra)
Se tomarmos o Corinthians como exemplo, as diretorias que passaram pelo time Alvinegro buscam, ao menos no histórico recente, técnicos com o mesmo perfil. Coincidência ou não, a torcida corinthiana já assimilou o jeito da equipe jogar e na década, foram os que mais comemoraram títulos.

Segue a lista da década: Tite (2010-13) - Mano (2014) - Tite (2015-16) - Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira (2016) - Fábio Carille (2017-18) - Osmar Loss e Jair Ventura (2018) - Fábio Carille (2019).

Seja com Tite, Mano Menezes ou com Fábio Carille, todos os três possuem uma evidente preferência por times mais reativos e ilustram a linha de raciocínio da diretoria. Em que pese a qualidade do elenco, quando técnicos como Cristóvão Borges, Oswaldo de Oliveira ou Osmar Loss, que fogem desse estilo, foram contratados, os resultados não foram bem distantes do esperado. Já no caso de Jair Ventura, o treinador mais aparentava ser um tampão para o final de temporada dos Alvinegros.

Portanto, antes de resolver os problemas com diversas contratações descabidas, procurando o encaixe ideal (ou o menos pior) de fora para dentro do clube, é necessário que os diretores construam uma base. É necessário que a instituição se planeje para criar uma identidade e posteriormente, resolva os problemas de dentro para fora.

Números


Na virada do São Bento contra o Vitória, pela Série B, Elton subiu sozinho para igualar o marcador (Foto: Jhony Pinho / Agif / Estadão Conteúdo)

Como citado no início, o Leão possui a pior defesa entre os representantes nordestinos das duas principais divisões do Brasil. O levantamento levou em consideração os Estaduais, a Copa do Nordeste, a Copa do Brasil, além da Série A e B. Confiram!

Equipe: Competição (Gols/ Partidas)

Bahia: Série A (8g/ 7j) + Copa do Brasil (5g/ 8j)+ Copa do Nordeste (7g/ 8j) + Campeonato Baiano (7g/ 14j) = 27 gols sofridos em 37 partidas (aproximadamente, 0,7 gols por jogo);

Ceará: Série A (8g/ 7j) + Copa do Brasil (4g/ 4j)+ Copa do Nordeste (7g/ 9j) + Campeonato Cearense (9g/ 11j) = 28 gols sofridos em 31 partidas (aproximadamente, 0,9 gols por jogo);

CSA: Fortaleza: Série A (11g/ 7j) + Copa do Brasil (1g/ 1j) + Copa do Nordeste (6g/ 9j) + Campeonato Alagoano (8g/ 11j) = 26 gols sofridos em 28 partidas (aproximadamente, 0,9 gols por jogo);

CRB: Fortaleza: Série B (5g/ 6j) + Copa do Brasil (3g/ 4j)+ Copa do Nordeste (6g/ 9j) + Campeonato Alagoano (5g/ 11j) = 19 gols sofridos em 30 partidas (0,6 gols por jogo);

Fortaleza: Série A (11g/ 7j) + Copa do Brasil (0g/ 1j)+ Copa do Nordeste (6g/ 12j) + Campeonato Cearense (5g/ 11j) = 22 gols sofridos em 31 partidas (aproximadamente, 0,6 gols por jogo);

Sport: Série B (7g/ 7j) + Copa do Brasil (3g/ 1j)+ Copa do Nordeste (não participou) + Campeonato Pernambucano (10g/ 13j) = 20 gols sofridos em 21 partidas (aproximadamente, 0,95 gols por jogo);

Vitória: Série B (13g/ 6j) + Copa do Brasil (1g/ 1j) + Copa do Nordeste (14g/ 9j) + Campeonato Baiano (9g/ 9j) = 37 gols sofridos em 25 partidas (aproximadamente, 1,5  gols por jogo);

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