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Entenda porque a Copa do Mundo de 2019 pode ser revolucionária

Grande público empurrou as francesas no Parque dos Principes (Foto: Getty Images)

A Copa do Mundo da França 2019 se iniciou na última sexta-feira (7) e promete ser um marco no futebol feminino. A competição é disputada desde 1991 e nunca impactou tanto o mundo da bola, seja pela questão das receitas ou pelo holofotes. Os ingressos da abertura, das semifinais e da final, por exemplo, se esgotaram em menos de 48 horas.

Além disso, a disputa das emissoras, sejam elas nacionais ou internacionais, para obter os direitos de transmissão também chamaram atenção. No território brasileiro, o Mundial feminino dividirá espaço com a Copa América, que ocorrerá no país, e mesmo assim atraiu o SporTV, a Rede Globo, pela primeira vez, e a Bandeirantes. As duas últimas estão transmitindo as partidas da seleção brasileira na TV aberta, enquanto o SporTV, vai disponibilizar quase todos os jogos, na TV fechada.

Fazendo uma comparação simples, na Copa do Mundo Feminina 2015, disputada no Canadá, foi transmitido apenas os jogos do Brasil pelo SporTV e pela TV Brasil. Já para esse ano, sem contar o maior número de partidas, as mudanças também serão vistas no extra-campo: as mulheres também estarão representadas nas transmissões.


Nadja Mauad, Ana Thaís e Milene Domingues (Foto: Raquel Cunha)

Na Globo, a jornalista, Ana Thaís Matos, será a comentarista nos jogos do Brasil, enquanto Carol Barcellos e Lizandra Trindade irão comandar a equipe de reportagem. Já a também jornalista, Nadja Mauad, irá comentar as partidas da seleção para a TV fechada e a ex-jogadora Milene Domingues vai trabalhar no site do Globo Esporte e no SporTV.

Além delas, outras presenças de relevância serão notadas na maior emissora do país: Galvão Bueno foi escalado para narrar o jogo de estreia do Brasil, enquanto Cleber Machado e Luis Roberto assumirão os outros confrontos disputados pela seleção. Pela TV fechada, Luiz Carlos Junior, Gustavo Villani e Milton Leite serão os narradores.

Em âmbito internacional, uma reportagem da Reuters, divulgou que o duelo de abertura da Copa do Mundo, disputado anteontem, entre França e Coreia do Sul, obteve recorde de audiência na televisão francesa. De acordo com os números, foram 9,83 milhões de espectadores assistindo a goleada de 4x0 das anfitriãs - foi a maior audiência em uma partida da seleção feminina da França. 

Incentivo de empresas

Outra ação que repercutiu positivamente partiu da Nike. Pela primeira vez, um modelo de uniforme foi produzido exclusivamente para as mulheres. A fornecedora colocou um selo com a expressão "Mulheres Guerreira do Brasil" e realizou um comercial exaltando a representatividade feminina dentro e fora de campo.



Buscando incentivar o interesse do público feminino pela categoria, a Adidas investiu ainda mais: além dos uniformes desenhados especialmente para as seleções patrocinadas, a empresa alemã decidiu igualar a premiação do feminino à oferecida aos times masculinos. Prática comum nos esportes, os patrocinadores oferecem "bônus" as equipes que são patrocinadas, em caso de títulos ou metas.

Essa medida valoriza ainda mais a categoria e é um ponto muito batido por muitos, uma vez que a quantia destinada aos homens, no geral, é (muito) maior do que o pago as mulheres no futebol, por exemplo. Para se ter ideia, a FIFA dobrou o valor das premiações em relação ao último Mundial feminino, mas ainda assim não chegam nem perto do que é pago a categoria masculina.

A França, campeã da Copa do Mundo de 2018, recebeu 38 milhões de dólares, enquanto o prêmio para quem vencer o torneio feminino de 2019 será de apenas 4 milhões. Expressando sua insatisfação pelo abismo nas premiações, a craque norueguesa Ada Hegerberg, de 23 anos, atual melhor do mundo, tomou a decisão de não ir à Copa.

Assim como as fornecedoras, outras empresas também resolveram incentivar essa competição. A marca de roupa Maria Filó e o grupo Boticário (O Boticário; The Beauty Box; Vult; Multi B; Eudora e Quem Disse, Berenice?) anunciaram que irão modificar os horários de trabalho, para que que os funcionários e os clientes possam acompanhar os jogos da seleção no Mundial. 

A competição que se iniciou há dois dias teve apenas sete partidas disputadas de 52 programadas e pode-se dizer que mal começou. Entretanto, também é possível afirmar que tem tudo para marcar época e ser inesquecível para todas as mulheres, desde as mais velhas até as mais novas. Desde as que conseguiram ser atletas, até as que não conseguiram. Desde as que são, até as que desejam ser. E, acima de tudo: joguem como uma garota.

Confiram também o texto sobre alguns pontos marcantes do futebol feminino em 2019.

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