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Vitória em queda livre na temporada

A figura do Leãozinho simboliza bem o atual momento do clube (Foto: Betto Jr. / CORREIO)
O Vitória voltou a perder na Série B, dessa vez para o São Bento, por 3x1, no último sábado (18). Os mais de sete mil torcedores presentes no Barradão novamente presenciaram uma atuação muito ruim coletiva e individual da equipe. De início, fica o questionamento: o poço em que o Leão se encontra, tem fundo? 

Após perder para o Guarani, encerrando um jejum de 79 dias sem triunfos do clube paulista, a derrota dentro de casa para o São Bento também é muito alarmante. Enquanto o Bugre mantinha uma sequência de quase três meses sem vencer, o São Bento foi rebaixado no Paulistão e havia vencido apenas uma partida na temporada. Portanto, será mesmo que esse plantel, apesar de claramente limitado e frágil, é tão abaixo desses adversários? Pois bem, na minha visão, não. Além disso, ainda considero que os problemas da instituição vão muito além.

No gol, por sinal, o Vitória teve seis nomes como titulares entre a temporada 2018 e 2019: Fernando Miguel, Caíque, Elias, Ronaldo, João Gabriel e Lucas. Dentre eles, somente o primeiro chegou a se firmar no clube e coincidência ou não, após a saída dele, nenhum outro assumiu o posto. Qual time no mundo tem sucesso tendo cinco goleiros diferentes em uma temporada e meia? O erro já se inicia desde o camisa 1.

Já no miolo da defesa, Ramon, que também não possui mais clima para atuar com a camisa rubro-negra, continua no elenco e após tantos erros, ainda consegue ser titular em muitas partidas, como no último sábado. Acredito que determinados desgastes, como a indisposição da torcida com alguns atletas que já demonstraram não trazer melhora técnica, poderiam ser evitados. 

Para completar o defeituoso sistema defensivo do Vitória, a tão temida lateral-esquerda. Se anteriormente o lado vermelho e preto de Salvador tinha Fabrício, após a rescisão de contrato, o herdeiro foi Capa. Em suas primeiras partidas, o atual camisa 6 fez os rubro-negros criarem dúvidas se preferiam um ex-jogador em atividade ou ele. 

Para piorar, no sábado, o lateral do São Bento era ninguém menos do que Mansur. Após o jogo, a dúvida que intrigava o Barradão era: você, torcedor, preferia Mansur ou Capa? Da minha parte, a única certeza é de que a briga seria boa (ou nem tanto).

Andrigo não teve o desempenho esperado na temporada (Foto: Moysés Suzart/EC Vitória)

Já na parte ofensiva, as poucas opções no meio de campo são somadas a baixa qualidade dos atletas e terminam minando a criação do time. Andrigo não conseguiu ter bons desempenhos e deve ser negociado. Ruy, que teve bons lapsos durante a temporada, ainda não retornou de lesão. Por último, Nickson parece que não consegue se desvencilhar dos seus constantes problemas com a balança.

O ataque, apesar de ter mais peças durante a temporada, sofre com a falta de qualidade. Léo Ceará já foi negociado e Maurício Cordeiro não teve chances. O recém-contratado, Anselmo Ramon, nunca se notabilizou por sua habilidade e sobra como outra opção, Neto Baiano, que vai permanecer no plantel.

O atacante não vem contribuindo com gols, somente um em 12 jogos, e fica no clube com a promessa de agregar experiência aos jovens do elenco, além de sua identificação com o Vitória. Entretanto, Neto Baiano protagonizou tudo o que não esperam dele no duelo contra o São Bento. Tendo o papel de líder e sendo um dos mais experientes do grupo, a postura de Neto Baiano, que chegou a discutir com Nickson e demonstrou clara insatisfação por não realizar a cobrança, se demonstrou ruim ao próprio grupo.

Irregularidade


Tencati não resistiu ao baixo aproveitamento e a crise instaurada no Leão: em sete jogos foram quatro derrotas, dois empates e apenas uma vitória (23% de aproveitamento) (Foto: Maurícia da Matta)

Assim como falei da constante alteração entre os goleiros, outros pontos do Vitória permanecem bastante indefinidos há muito tempo. Com a pior defesa da Série B, 10 gols sofridos em quatro jogos, os rubro-negros convivem com uma instabilidade interminável nesse setor, por exemplo. 

Na última temporada, o Leão foi vazado 63 vezes na Série A e teve a pior marca da competição. Em 2017, foram 58 gols sofridos e o posto de segunda pior. Já em 2016, a quinta pior da Série A com 53 gols tomados. Dentre os últimos anos, apenas em 2015, ainda pela Série B, o sistema defensivo do Vitória não sofreu mais de 50 tentos - foram 40, para ser exato. 

Pensa que terminou? Não mesmo. Apesar de ser naturalizada no Brasil, as trocas de treinadores são incessantes no Barradão - em 2016, Wesley Carvalho, Vagner Mancini e Argel Fucks comandaram o Leão. Um ano depois, em 2017, Argel, Petkovic, Alexandre Gallo e novamente Mancini estiveram no banco. 

Já em 2018, após Mancini ser demitido, Burse, Carpegiani e novamente Burse, como interino, assumiram o cargo. Neste ano, Chamusca não durou mais de três meses e para o seu lugar, Cláudio Tencati foi contratado, mas também não conseguiu manter o cargo. Estamos em maio e a equipe rubro-negra já vai para o seu terceiro treinador.

Por fim, a falta de um padrão tático também assombra os torcedores. Sem demonstrar o mínimo de qualidade coletiva desde 2015, as últimas temporadas do Leão foram baseadas nas individualidades e na estrela de seus atletas, como: Marinho em 2016 e Trellez em 2017. Quando ninguém brilhou, veio a queda em 2018 e o péssimo momento em 2019.

Mentalidade

Em 2019, o abatimento dos torcedores se reflete nos baixíssimos públicos do Barradão (Foto: Juliana Lisboa)

Outras questões importantes são vistas em afirmações de Paulo Carneiro e na atual fragilidade da torcida do Leão. As falas imediatistas e enfáticas do presidente, sempre cercadas de promessas, até podem empolgar os torcedores, algo necessário em meio a falta de perspectivas atuais, só não devem iludir. 

A mudança dos treinamentos para o período da manhã, por exemplo, foi bastante comentada porque, teoricamente, iriam acabar com "a moleza dos jogadores que não honram a camisa do clube". Contudo, a cada jogo fica mais claro que o problema não reside no horário do treino, mas sim na falta de qualidade do elenco e na falta de confiança de alguns atletas.

Os corriqueiros apagões que a equipe rubro-negra sofre tambem não são frutos do acaso. Nas três derrotas no campeonato, o Vitória abriu o placar e depois de levar o empate, simplesmente parou na partida. Contra Guarani e Botafogo-SP, os gols da virada ocorreram em espaços de dois e um minuto, respectivamente. Isso tudo somado nítido abatimento dos atletas, algo que, sem dúvidas, se reflete nas arquibancadas do Manoel Barradas.

Os baixos públicos no Barradão não simbolizam somente uma torcida insatisfeita com o elenco ou com a situação vivida atualmente, mas sim um problema muito maior. Ainda é possível enxergar esperanças de dias melhores para o clube em diversos torcedores, entretanto, o Santuário Rubro-Negro vem se tornando um mar de lamentações. O que se nota atualmente é: qualquer faísca no estádio Manoel Barradas vem se tornando um incêndio.


O contraste entre o atual momento do Barradão e os momentos áureos do Santuário Rubro-Negro é gritante (Foto: Maurícia da Matta/ EC Vitória)

Reconhecido nacionalmente pela força que traz ao Vitória, o "artilheiro rubro-negro" vem perdendo força nos últimos anos e isso impacta diretamente os desempenhos da equipe nos campeonatos. 

Em 2016, foram 28 pontos conquistados no Brasileirão e um aproveitamento de, aproximadamente, 49%. Na outra temporada, em 2017, foram somente 14 de 57 pontos disponíveis na competição e o pior aproveitamento entre os 20 times: aproximadamente, 25%. Já no último ano, em 2018, apenas 26 pontos e, aproximadamente, 45% de aproveitamento. 

Para se ter uma ideia, levando em consideração que todas as partidas simbolizem três pontos, o Leão, historicamente, aproveitou 67% dos pontos dentro do Barradão. Em 741 partidas foram: 443 vitórias, 161 empates e 137 derrotas. Ou seja, de 2233 pontos possíveis, são 1490 conquistados. A diferença para as últimas temporadas é gritante.

Portanto, resta ao torcedor rubro-negro continuar apoiando, porque se não for com incentivo do maior patrimônio do clube, fica cada vez mais comprovado de que o acesso não será em 2019. Resta ao torcedor tentar resgatar o Leão desse poço que vem se tornando cada vez mais fundo.

Fonte: Vitor Villar/ CORREIO (Número de jogos do Barradão)

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