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Especial Toronto Raptors: saiba como foi a jornada de franquia modesta ao reinado do Leste

Por João Dannemann

Kawhi Leonard, Fred VanVleet, Kyle Lowry, Norman Powell e Jeremy Lin posam com o troféu de campeões da Conferência Leste de 2019, o primeiro da história da franquia. (Foto: TSN).

Ontem (25) o Toronto Raptors conquistou a Conferência Leste pela primeira vez na história e, com isso, disputará sua primeira Final de NBA. Mas o caminho deles até esse momento de glória não foi fácil. Agora entenda como uma das franquias mais jovens da liga conseguiu se estabelecer como uma força no Leste, até conquistar seu primeiro título de conferência.

A franquia foi idealizada em 1993, quando a NBA começou seu projeto de expansão para o Canadá, cedendo duas vagas aos canadenses, uma em Toronto e uma em Vancouver. Os direitos da franquia foram comprados por dois empresários, John Bitove e Allan Slaight. A partir daí, o time foi fundado e, junto ao Vancouver Grizzlies, disputou seu primeiro jogo oficial somente em 1995. Os primeiros pontos da história dos Raptors foram marcados por Alvin Robertson e eles venceram o primeiro jogo, por 94 a 79, contra o New Jersey Nets.

Se engana quem pensa que o bom pontapé inicial foi o início de uma franquia vitoriosa. Os primeiros anos dos Raptors na liga foram tumultuados como o de qualquer outra franquia que nasce do zero. Até a temporada de 1998-99, a melhor marca dos Raptors havia sido de apenas 30 vitórias numa temporada. Em 1999-00, iniciou-se uma nova era em Toronto. Os jovens primos Tracy McGrady e Vince Carter começaram a assumir o protagonismo do time, que contou com a aquisição dos experientes Muggsy Bogues, Dell Curry e Charles Oakley e, com isso, conseguiram chegar aos playoffs pela primeira vez na história da franquia, com 45 vitórias. Foram eliminados na primeira rodada, contra os Knicks.

Vince Carter (esquerda) e Tracy McGrady (direita) fizeram a primeira dupla de grandes astros da história do Toronto Raptors no final dos anos 1990. (Foto: Getty Images).

Porém, a partir daí, a franquia se estabeleceu como uma presença constante na briga pelas vagas de pós-temporada. Mesmo com a perda de Tracy McGrady para o Orlando Magic, os Raptors se classificaram para os playoffs por mais duas temporadas consecutivas, sendo comandados por um dos maiores enterradores da história da liga, Vince Carter. Com a franquia se estabelecendo como um problema no Leste, os fãs começaram a abraçar mais a causa dos Raptors. As médias de público que eram de 16 mil pessoas por jogo no final da década de 90, subiram para quase 20 mil no início dos anos 2000.

Porém as temporadas de 2002-03 e 2003-04 foram decepcionantes para quem vinha numa crescente. Dois anos em que a equipe nem chegou a 35 vitórias, ficando longe de classificação para os playoffs. Com isso, Vince Carter foi trocado para os Nets em dezembro de 2004 e a primeira remodelação da jovem franquia começou oficialmente. A escolha de Chris Bosh no draft da temporada anterior foi crucial para isso, pois ele viria a ser o próximo grande astro de Toronto.

Com Bosh como franchise player, os Raptors amargaram mais dois anos sem chegar à pós-temporada. Mas em 2006-07 isso mudou. Comandados pelo treinador Sam Mitchell, os Raptors foram terceiro lugar na Conferência Leste e se tornaram campeões da Divisão Atlântica pela primeira vez na história da franquia. Foram eliminados na primeira rodada pelos Nets de Vince Carter, seu ex-astro, mas se mantiveram de pé e se classificaram novamente aos playoffs na temporada seguinte.

Chris Bosh foi a grande estrela dos Raptors em meados dos anos 2000, mas nunca conseguiu levar a franquia muito longe. (Foto: USA Today).

A segunda grande remodelação da equipe começou quando Chris Bosh saiu para o Miami Heat, para montar o super-time com LeBron, Wade e companhia. Novamente os Raptors se viam órfãos de uma grande estrela. Outra vez, contaram com o draft para a sua repaginação. O jovem DeMar DeRozan, vindo de Southern California, chegava na equipe e já dava sinais de que seria o próximo astro por ali. Após quatro duras temporadas, a aquisição do armador Kyle Lowry, ex-Rockets, em 2012-13 foi outro ponto importante na história da franquia.

Em 30 de setembro de 2013, mais um capítulo crucial na história do Toronto Raptors. O rapper Drake foi anunciado como embaixador global da franquia, além de se tornar um dos maiores investidores dos Raptors. Com Drake como símbolo, a franquia cresceu de forma brutal, tanto em valor, como em investimentos e em número de fãs. O músico também foi um dos responsáveis pela repaginação na identidade visual da franquia. A mudança na logo, na paleta de cores e na arena foram cruciais para essa nova etapa. Os Raptors, a partir daí, começaram a se consolidar, como uma das três maiores forças da Conferência Leste.

Com a dupla Lowry e DeRozan, os Raptors viveram seus melhores anos, principalmente em playoffs, até 2019. Foram cinco classificações seguidas para a pós-temporada, vencendo quatro vezes a Divisão Atlântica. Nessas cinco temporadas, a pior colocação da franquia na temporada regular foi um quarto lugar, em 2014-15. Eles também conseguiram levar os Raptors às Finais da Conferência Leste por duas vezes, as primeiras da história da franquia, em 2016 e 2018, perdendo ambas para o Cleveland Cavaliers de LeBron James.

O rapper Drake é torcedor símbolo, embaixador global e um dos principais investidores da franquia. Sempre está na beira da quadra nos jogos dos Raptors. Odiado pelos adversários e amado por Toronto. (Foto: Getty Images).

Antes da temporada 2018-19, Bobby Webster, gerente geral dos Raptors, talvez tenha feito as melhores decisões da história da franquia. A primeira foi demitir o já desgastado treinador Dwane Casey e contratar o promissor Nick Nurse para seu lugar. A segunda, foi a troca ideal para os Raptors. Mandaram para o San Antonio Spurs seu melhor jogador nos últimos nove anos, DeMar DeRozan, mais o jovem Jakob Poeltl e uma escolha de draft, para adicionarem Kawhi Leonard e Danny Green ao elenco.

Com essas mudanças, o time se repaginou como precisava. Kawhi se tornou, rapidamente, o grande líder e jogador que os Raptors precisavam. Mais tarde, no meio da temporada, Webster deu mais uma bola dentro. Incorporou o experiente pivô Marc Gasol ao elenco, mandando Jonas Valanciunas, Delon Wright e C.J. Miles para os Grizzlies. Com isso, os Raptors fizeram a segunda melhor temporada regular da história da franquia, com 58 vitórias e se classificaram para os playoffs como segundo lugar no Leste.

A pós-temporada começou com um susto: derrota para o Orlando Magic em casa. Porém, depois disso, Kawhi mostrou para que chegou na franquia e começou a sua impressionante fase quando o seu time mais precisou. Após baterem o Magic por quatro a dois no primeiro round, enfrentaram o bom Philadelphia 76ers no segundo round. A série foi dura, chegou ao jogo sete e Leonard mostrou mais uma vez porque é, questionavelmente, o melhor jogador do mundo nesse momento. Ele se tornou o primeiro jogador da história da liga a encerrar uma série em jogo sete com uma bola convertida no último segundo. Ele foi o autor do arremesso mais impressionante e importante da história da franquia.

Momento exato do arremesso de Kawhi Leonard no jogo sete contra os Sixers. Com 0,2 segundos faltando, sob a marcação de Joel Embiid, a bola caprichosamente quicou quatro vezes no aro até cair. (Foto: Getty Images).

Após isso, os Raptors chegaram às Finais do Leste pela terceira vez na história, contra os Bucks, time de melhor campanha da liga em 2018-19. Depois de perderem os dois primeiros jogos em Milwaukee, o time de Toronto atropelou quem estava acostumado a atropelar, Giannis Antetokounmpo, vencendo quatro partidas seguidas (sendo uma delas fora de casa), para conquistar seu primeiro título da Conferência Leste na história.

O triste é ter que admitir que em oito meses com os Raptors, Kawhi praticamente manchou os nove belos anos que DeRozan fez na franquia, pois foi justamente a troca com ele que ocasionou isso tudo. Leonard já tem onze jogos com mais de trinta pontos nesses playoffs, em apenas 17 jogos, enquanto DeRozan fez 14 jogos com mais de trinta pontos em pós-temporada, em nove anos na franquia. Só Michael Jordan e Hakeem Olajuwon conseguiram mais em uma única edição (12 cada).

A partir de quinta (30), contra os Warriors, os Raptors jogarão as primeiras Finais de NBA da história da franquia. A partir desse momento, veremos a grandeza de Kawhi e do resto do time. Os Warriors já são uma das maiores dinastias da história da liga. Será esse time de Toronto o suficiente para acabar com isso? Serão eles capazes de fazer mais história ainda? Aguardemos cenas dos próximos capítulos dessa franquia que, empurrada por fãs enlouquecidos, vem cada vez mais ganhando espaço entre as grandes equipes da NBA.

Fãs de Toronto acompanhando o jogo seis das Finais de Conferência nas ruas da cidade. A torcida abraçou a franquia como nunca na atual temporada. (Foto: Getty Images).



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