ÚLTIMAS NOTÍCIAS

A internacionalização da NBA

Por João Dannemann

Esses são nove dos 108 atletas internacionais que atuaram na última temporada da liga. Da esquerda para a direita: DeAndre Ayton (Bahamas), Dirk Nowitzki (Alemanha), Giannis Antetokounmpo (Grécia), Al Horford (República Dominicana), Ben Simmons (Austrália), Jamal Murray (Canadá), Joel Embiid (Camarões), Luka Doncic (Eslovênia) e Rudy Gobert (França). (Foto: NBA.com).

A liga de basquete mais famosa do mundo nunca foi tão do mundo. Hoje, a NBA tem muito mais espaço para atletas internacionais do que em qualquer outro momento na história. Não só isso, mas o investimento que a liga faz em outros países vem crescendo a cada ano. Atualmente existem campos de talento da NBA espalhados por todo o mundo, recrutando e treinando jovens jogadores para prepara-los a jogar basquete no mais alto nível.

Na temporada 2018-19, 108 atletas não-americanos, de 42 países diferentes (recorde na história) atuaram na liga. Foi a quinta temporada consecutiva em que mais de 100 atletas internacionais jogaram uma temporada regular da NBA. A temporada regular com mais atletas de fora foi a de 2017-18, com 113. Porém, na temporada atual aconteceu algo inédito. Todas as franquias tinham pelo menos um jogador internacional no elenco.

Os países com mais representantes entre os 108 atletas internacionais na temporada foram:

-- Canadá (11 jogadores);
-- Austrália e França (nove jogadores);
-- Espanha (sete jogadores);
-- Alemanha (seis jogadores);
-- Croácia, Sérvia e Turquia (cinco jogadores).

Juancho Hernangomez (Espanha), Luka Doncic (Eslovênia) e Nikola Jokic (Sérvia) conversando antes de partida entre Denver Nuggets e Dallas Mavericks, em 2019. (Foto: USA Today).

O Dallas Mavericks é o time com mais jogadores internacionais na liga, com sete atletas. Quase metade do seu elenco é formado por jogadores nascidos fora dos Estados Unidos, com destaque para o esloveno Luka Doncic, o letão Kristaps Porzingis e o porto-riquenho J.J. Barea. Depois dos Mavs, vêm Utah Jazz, do brasileiro Raul Neto, e Los Angeles Clippers, com seis atletas internacionais cada. Seguidos por Boston Celtics, New York Knicks, Oklahoma City Thunder, Philadelphia 76ers e San Antonio Spurs, com cinco cada.

As Finais da NBA, começam hoje (30/5), entre Toronto Raptors e Golden State Warriors. Esse será o ano com mais atletas internacionais disputando as finais da liga, com sete ao todo: Andrew Bogut (Austrália) e Jonas Jerebko (Suécia), pelos Warriors, O.G. Anunoby (Inglaterra), Chris Boucher (Santa Lucia/ Canadá), Marc Gasol (Espanha), Serge Ibaka (República do Congo/ Espanha) e Pascal Siakam (Camarões), pelos Raptors. O recorde era das Finais de 2018, onde seis atletas internacionais atuaram no duelo entre Warriors e Cavaliers.

O Brasil já chegou a ter nove atletas numa mesma temporada da NBA, em 2015-16 e 2016-17. Porém, na última temporada, apenas quatro atletas brasileiros estiveram presentes na liga: Cristiano Felício (Chicago Bulls), Nenê Hilário (Houston Rockets), Bruno Caboclo (Memphis Grizlies) e Raul Neto (Utah Jazz). Contudo, o draft de 2019, que acontecerá dia 20/6, é o que possui mais brasileiros inscritos na história, com um total de seis atletas: Yago Mateus, Dikembe André, Didi, Michael Uchendu, Felipe dos Anjos e Túlio da Silva.

Nenê, do Houston Rockets, é o brasileiro que está há mais tempo na NBA. São 16 anos bem sólidos na liga. (Foto: USA Today).

Não é só em quantidade que os atletas de fora vem ganhando destaque na liga, mas também em qualidade. Tem pelo menos um atleta internacional entre os três finalistas dos cinco prêmios individuais para jogadores da temporada regular (excluindo o de Treinador do Ano). Como se isso já não fosse suficiente, em quatro dos prêmios um atleta internacional é favorito a vencer. Pode ser a primeira vez na história que quatro atletas de fora dos Estados Unidos vencem na mesma temporada.

Esses são os favoritos:
-- Giannis Antetokounmpo (Grécia, Milwaukee Bucks): favorito ao MVP;
-- Rudy Gobert (França, Utah Jazz): favorito a Defensor do Ano;
-- Pascal Siakam (Camarões, Toronto Raptors): favorito ao MIP;
-- Luka Doncic (Eslovênia, Dallas Mavericks): favorito a Calouro do Ano.

Além disso, essa também foi a temporada com mais representantes nascidos em outros países no Jogo das Estrelas da NBA, com oito atletas, recorde absoluto na história da liga. Sendo que três deles foram titulares na partida mais famosa da temporada, inclusive.

A NBA adora a internacionalização da sua marca. Para aumentar mais ainda esse efeito, a liga promove muitas ações, como o Basketball Without Borders (Basquete Sem Fronteiras), por exemplo. São 52 campos de treinamento, em 32 cidades, em 27 países e seis continentes diferentes, onde treinadores especialistas da liga recrutam jovens promessas do basquete. Hoje, a iniciativa já formou mais de 3.000 atletas, de 133 países diferentes.

Além disso, a NBA sempre promove os jogos globais. Na pré-temporada, sempre têm jogos na África, na China e no Brasil, por exemplo. E, durante a temporada regular, já virou tradição ter pelo menos um jogo no México, um na China e um na Inglaterra, variando muito de temporada em temporada.

Serge Ibaka tenta bandeja no NBA Africa Game de 2018, vencido pelo Time Mundo. (Foto: Getty Images).

A partir de 2020, começará a BAL (Basketball Africa League). Uma iniciativa da NBA em conjunto com a FIBA, que cria uma liga de times na África, algo inédito para o continente. A liga terá a participação de 12 equipes, de países como Angola, Egito, Quênia, Marrocos, Nigéria, Ruanda, Senegal, África do Sul e Tunísia. Além da promoção do esporte no continente africano, também é uma meta da NBA recrutar os melhores atletas de lá para a liga norte-americana. A África que já cedeu lendas do esporte, como Hakeem Olajuwon e Dikembe Mutombo, por exemplo.

Nessa semana, o comissário da NBA, Adam Silver, também declarou que é um projeto da liga para as próximas temporadas fazer com que os times americanos disputem mais de um troféu por ano, como acontece em outros esportes. As franquias da NBA, disputam apenas o título da liga norte-americana, sem participar de torneios intercontinentais ou algo similar, mas essa realidade pretende mudar.

Com tal promoção do basquete no mundo, hoje a NBA é considerada a liga esportiva mais valorizada, reconhecida e assistida anualmente no planeta. Com olhares para fora dos Estados Unidos, o talento na liga vem variando cada vez mais a sua língua-mãe, transformando o basquete cada vez menos um esporte americano, mas cada vez mais um esporte global.

Nenhum comentário