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Hillsborough: A tragédia que mudou o futebol inglês

Arquibancada "Kop",a mais famosa de Anfield, fez um grande mosaico homenageando as vítimas no jogo contra o Chelsea (Foto: Reprodução/ Twitter)

Nesta segunda, 15 de abril de 2019, a semifinal da FA Cup disputada entre Liverpool e Nottingham Forrest, em 1989, no estádio de Hillsborough, completou 30 anos e marcou a maior tragédia do futebol inglês: foram 96 mortos e quase 800 feridos. 

O acontecimento foi gerado por um erro de estrutura e segurança do estádio, assim como dos policiais, que abriram os portões e liberaram a entrada de um número maior do que o permitido de torcedores do Liverpool. Na época, tanto o governo quanto alguns tabloides culparam os torcedores dos Reds pela confusão.

Dentre esses jornais, o que causou mais repercussão foi o "The Sun". Quatro dias após o acontecimento, o veículo publicou uma edição que trazia como manchete a frase: "A verdade", onde uma série de acusações falsas denegriam a imagem dos torcedores do Liverpool. Segundo o publicado, alguns fãs dos Reds: "invadiram o campo, urinaram nos bravos policiais, saquearam os mortos, e bateram em quem tentava ajudá-los, incluindo médicos".


Torcedores do Liverpool foram esmagados e pisoteados devido a falha de segurança, além da estrutura precária do Estádio de Hillsborough (Foto: AFP)

As consequências para o The Sun, ao menos na cidade dos Beattles, foram negativas, já que muitos familiares dos mortos consideram o jornal como o principal culpado pela demora nas investigações e também pela culpa que recaiu sobre as vítimas. Com o auxilio até mesmo de torcedores do Everton, a cidade de Liverpool promoveu um boicote ao tabloide, que deixou de circular em Anfield e praticamente não é comprado por moradores locais. Além disso, repórteres ou profissionais que trabalham para o jornal também não podem frequentar o estádio dos Reds e nem mesmo Melwood, centro de treinamento da equipe.


Em 2012, um relatório do Painel Independente de Hillsborough concluiu que 164 depoimentos foram alterados, tanto pelo governo quanto pelos policiais para culpar os torcedores do Liverpool. Dentre eles, 116 depoimentos foram mudados ou tiveram comentários desfavoráveis à polícia de South Yorkshire removidos. A confirmação dessa ação gerou um pedido de desculpas do próprio The Sun e do primeiro-ministro britânico David Cameron, na época.


Manchete do The Sun em 89 acusando os torcedores, contrasta com a manchete publicada 23 anos depois, quando o jornal assumiu o erro pelas graves acusações (Foto: The Sun)

Somente em 2016, enfim, os familiares das vítimas puderam ter o mínimo de paz. O júri realizado no tribunal de Warrington determinou que a negligência da polícia foi responsável pelas 96 mortes e que os torcedores do Liverpool tiveram nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu. 


Como o próprio hino do Liverpool cita, as famílias das 96 vítimas "jamais caminharão sozinhas". 

Relatório Taylor

A tragédia de Hillsborough gerou a criação do "Relatório Taylor", que foi liderado pelo Lorde Taylor e tinha como objetivo tornar o futebol inglês seguro. O relatório continha 43 recomendações como, por exemplo: monitoramento da capacidade dos estádios, assim como as alterações na estrutura dos estádios, no planejamento policial e o fim de bebidas alcoólicas nos locais de jogos. Porém, a principal delas era a obrigação de todos os clubes das principais divisões inglesas implementarem cadeiras nas arquibancadas, acabando com a tradição dos torcedores que assistiam de pé.

Massacre de Heysel

Quatro anos antes do acontecimento em Hillsborough, os torcedores do Liverpool se envolveram em outra grande tragédia. Em contrapartida, nessa oportunidade, a culpa foi verdadeira. Os hooligans ingleses, em crescente número e cada vez mais ganhando forças, foram responsáveis pela morte de 39 torcedores da Juventus na final da Taça dos Campeões Europeus (atual Champions League), disputada em Bruxelas, na Bélgica.


Torcedores da Juve fugindo do ataque dos hooligans do Liverpool, no início do ataque que gerou a tragédia (Foto: Reprodução/ Twitter)

A confusão entre os fãs das duas equipes se iniciou antes da partida começar e devido ao baixo policiamento presente, a investida da torcida dos Reds sobre os italianos não foi contida. Com o tumulto já estabelecido, muitos bianconeri que buscavam fugir foram espremidos contra um muro, enquanto outros tentavam escalá-lo. Para completar o desastre, a estrutura em que os juventinos subiram não suportou e desabou sobre as pessoas, incluindo as 39 vítimas - além delas, a estimativa foi de, aproximadamente, 600 feridos, em sua grande maioria, italianos. 

Apesar de culminar na suspensão dos clubes ingleses por cinco anos, a punição foi pouca. Heysel foi apenas uma amostra da bomba que se tornaram os hooligans, da falta de estrutura dos estádios e da péssima organização policial da época, fatores que ficaram evidentes quatro anos mais tarde, em uma tragédia ainda maior.

2 comentários:

  1. O relatório continha 43 recomendações como, por exemplo: monitoramento da capacidade dos estádios, assim como as alterações na estrutura dos estádios, no planejamento policial e o fim de bebidas alcoólicas nos locais de jogos. Porém, a principal delas era a obrigação de todos os clubes das principais divisões inglesas implementarem cadeiras nas arquibancadas, acabando com a tradição dos torcedores que assistiam de pé.
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