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Ba-Vi dos opostos

As diferentes reações evidenciam o sentimento que o clássico deixou (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

No clássico marcado pelos golaços, Bahia e Vitória apresentaram diferentes faces no decorrer do confronto e confirmaram a disparidade técnica e tática de ambas equipes. A Fonte Nova recebeu mais de 43 mil pessoas e marcou o recorde de público em clássicos após a reforma. 

O ímpeto tricolor no primeiro tempo evidenciou superioridade do esquadrão - com apenas 15 minutos, Ronaldo já havia realizado três boas defesas. Sem parar de pressionar a saída de bola do Vitória, o esquadrão tinha bastante profundidade e pouco encontrava dificuldade, já que o time rubro-negro não conseguia se articular,  esfriar o jogo e nem conter os avanços do rival. 

No meio-campo, apesar de Flávio ter feito um jogo abaixo, Gregore comandou as ações no setor. Além da participação no início das jogadas, o camisa 26 contribuiu tanto na transição ofensiva quanto na marcação.

Pelo lado direito do ataque, Arthur deu sequência a suas boas atuações e além da assistência no gol, foi um dos jogadores mais perigosos do time de Enderson. Em contraponto, Rogério, apesar de aparecer bastante no jogo, errou muito e foi um dos mais criticados pela torcida - o incrível gol perdido pelo camisa 90 não sairá tão cedo da cabeça dos tricolores.

Outra importante arma da equipe é Gilberto: com grande mobilidade para um atleta de sua posição, a linda bicicleta que ele acertou foi uma grande demonstração da sua qualidade e da boa fase que ele vive. O centroavante não se limita a ficar preso na área e também ajuda fora dela.

Bicicleta de Gilberto abriu o placar em grande estilo e fez a Fonte Nova tremer (Foto: Marcelo Malaquias/ Estadão Conteúdo)

O gol era questão de tempo e a bela trama no gol de Gilberto foi uma recompensa ao bom futebol desempenhado pela equipe mandante. Desde o excelente passe de Gregore, até a finalização de rara felicidade do camisa 9 tricolor. Após de abrir o placar, o time de Enderson Moreira continuou com mais posse de bola e controlava o jogo sem sofrer riscos. ­

Do outro lado, a dupla de volantes do leão, Wesley Dias e Leandro Vilela, ambos amarelados com cinco minutos de jogo, não conseguiam ajudar na iniciação das jogada do leão e não eram efetivos no momento defensivo. Por sinal, a transição defensiva da equipe foi um verdadeiro "Deus nos acuda".

Andrigo e Yago também não tiveram boas atuações: com responsabilidades defensivas e sem oferecer profundidade na fase ofensiva, ambos ficaram presos e não conseguiam segurar a bola. Apesar de serem os jogadores mais abertos no esquema de Chamusca, nenhum dos dois possuem a velocidade como característica e ficaram "sumidos" no decorrer da partida.

A inoperância no setor de meio-campo do Vitória foi, sem dúvidas, o que mais influenciou nesse domínio tricolor. O camisa 10 do leão, Ruy, foi o único que buscou trabalhar alguma jogada e reter a bola, mas foi muito pouco. Sem aproximação dos laterais ou dos companheiros no meio-campo, o leão não chutou sequer uma bola na meta do tricolor. No ataque, Leo Ceará não conseguiu trabalhar no pivô, pouco apareceu e também não ofereceu perigo a defesa do Bahia.

Jeferson, deslocado para a lateral-esquerda, e Matheus Rocha, que atuou pela primeira vez como profissional, pouco avançavam e consequentemente não davam opções no ataque. Apesar de aparentar um determinado nervosismo nos 45 minutos iniciais, Matheus demonstrou bastante personalidade no segundo tempo e além do gol, fez uma boa partida defensivamente.

Sem criatividade e conjunto, Marcelo Chamusca assistiu o primeiro tempo de apenas uma equipe jogando futebol e contou com uma grande exibição de Ronaldo, o maior destaque da partida, para não ir ao intervalo com o placar mais dilatado. Além, é claro, da sorte no incrível gol perdido por Rogério.

Virada de chave

A euforia continuou dominando a Fonte Nova, mas o Bahia retornou a campo com menos intensidade, apesar de seguir levando perigo ao arqueiro do leão nos 10 minutos iniciais. Após esse período, a substituição de Chamusca surtiu efeito e paralelamente à queda do time tricolor na partida, o jogo mudou.

O comandante rubro-negro optou pela saída de Wesley Dias no intervalo e pôs Rodrigo Andrade em campo, alterando completamente a postura da equipe rubro-negra. Rodrigo ofereceu mais dinâmica e mobilidade a equipe, ajustando o "buraco" que se fazia presente no meio de campo do time - em alguns momentos, foi o responsável por puxar ataques do Vitória.

Com a marcação mais compacta e um sistema defensivo menos exposto, o time pouco sofreu defensivamente, chegava mais vezes ao ataque, mesmo sem criar problemas a Douglas. O improvável golaço de Matheus Rocha, por exemplo, surgiu a partir de um escanteio despretensioso em uma tentativa de ataque do leão, confirmando uma das máximas do futebol: quem não faz, toma.


Matheus Rocha comemora o improvável gol que deu números finais ao clássico (Foto: Maurícia da Matta/ Divulgação EC Vitória)
Após o gol sofrido, o marasmo que rondava o Bahia se implantou de vez na equipe de Enderson Moreira. Apesar de continuar sem sofrer riscos, o time também passou a não oferecer perigo e em determinados momentos demonstrou ansiedade e nervosismo. 

Assim como a paciência da torcida, o tempo foi se esgotando e nem mesmo a entrada de Fernandão, em uma tentativa de injeção de ânimo na torcida e na equipe, surtiu efeito. Ao contrário do que era esperado, o centroavante recém-contratado pouco tocou na bola e a opção pelo famigerado "chuveirinho" também não deu certo. 

Com o apito final, o placar foi igual mas os sentimentos foram (bem) opostos. Enquanto o Vitória sai mais confiante e fortalecido para o resto das competições, o Bahia terá de lidar com a sensação de que poderiam mais, principalmente diante dos seus torcedores e por toda disparidade técnica e tática que foi evidente.

Em um contexto inimaginável, pelos rumos que a partida tomava, a magia do futebol se fez presente, assim como a tradição de ambos os clubes no maior clássico do Norte-Nordeste.

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