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Erros capitais

Finalíssima não ocorrerá em território argentino e frustrará milhares de torcedores (Foto: Agência Uno)

A Conmebol conseguiu um feito jamais realizado: com o decreto de que a final ocorrerá no Santiago Bernabeu, a instituição conseguiu incomodar quase todas as torcidas, não importando se são rivais ou não.

Além disso, as corriqueiras polêmicas envolvendo a competição só ampliam o descrédito sobre a maior competição do continente. Somente nessa edição, sem contar com a barbárie do último sábado, River Plate e Boca Juniors tiveram a participação de jogadores irregulares e não sofreram punições - os Millionarios ainda contaram com a ida ao vestiário do técnico Marcelo Gallardo, que estava suspenso no duelo contra o Grêmio, para dar instruções seus atletas e sofreram uma punição "mínima".

Com tudo isso, a indignação de quase toda à comunidade futebolística só aumenta, uma vez que atitudes como essa impactam negativamente na competição. A partir desse ato, é possível fazer uma grande lista de erros ou consequências que foram geradas. Listei as três principais, ao meu ver.

1) Descaracterização da competição: Por ser um torneio continental de grande tradição e com abrangência mundial, a medida de levar o grande jogo do campeonato para outro país só reforça a consequente descaracterização da competição, que deveria ocorrer em terras sul-americanas. 

Sem contar que a opção por apenas um jogo na final, regra estabelecida a partir de 2019, não passa de uma cópia dos padrões europeus, contrastando com os costumes do território sul-americano. Ainda é preciso se destacar que a distância geográfica dos países de ambos os continentes é totalmente diferente, além de questões como o poder aquisitivo da população de cada local.

2) Atestado de incompetência: Por parte da Argentina, a realização de um confronto local, mesmo que possua proporções mundiais, em outro país é o atestado de incompetência e incapacidade de que as autoridades não conseguem conter a marginalidade e a barbárie. 

Com relação a Conmebol, a dificuldade da realização do confronto torna explícita toda a desorganização que ronda a entidade organizadora do futebol sul-americano. Como pretendem gerir e sediar a maior competição do futebol mundial, no caso, a Copa do Mundo de 2030, se não conseguem realizar a final da Copa Libertadores?

3) Desrespeito com o torcedor: O descaso com as pessoas que estavam presentes no estádio foi absurdo. Mesmo com os jogadores do Boca Juniors demonstrando que claramente não possuíam condições de disputar a final, diversos torcedores do River Plate ficaram totalmente "ilhados" e sem saber o que fazer, permanecendo horas no Monumental de Nuñez a espera de uma resposta concreta sobre o que realmente iria ocorrer.

Primeiramente, a tola declaração da Conmebol, afirmando que a decisão seria atrasada por duas horas e posteriormente, após outra mudança, a final passou para o dia seguinte. No domingo, a cena se repetiu: inúmeras pessoas rumaram para o Monumental e ao chegar lá, mais uma decepção. O jogo foi novamente prorrogado. 

Na terça-feira, 27, uma carta inútil apenas informou que o jogo seria disputado fora do país, entre os dias 8 e 9 de dezembro. Apenas na última quinta-feira, 29, ocorreu a divulgação exata da data, dia 9, e do estádio que receberá o Superclássico, o Santiago Bernabeu. 

Por fim, mesmo com o provável reembolso que os fãs que adquiriram o ingresso receberão, a decisão de trocar o local da final impossibilitará muitos deles de irem assistir ao jogo no estádio, devido aos custos extras e elevados. Um grande "balde de água fria" nos torcedores que tanto sonharam com essa decisão, além de uma perda irreparável para o futebol sul-americano.

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