ÚLTIMAS NOTÍCIAS

A conta chegou

Sem força de reação no campeonato, o Vitória retornou a segunda divisão após três temporadas na elite (Foto: Tiago Caldas/ Ag. A TARDE)

Não deu! O que foi avisado no BR-16 e anunciado no BR-17, foi escancarado e consolidado na edição deste campeonato: o Vitória caiu para a segunda divisão do campeonato brasileiro.

Observando por uma ótica do atual momento, um ano que começou de forma negativa, seja pela declaração do próprio presidente, que serviu apenas para denegrir a imagem do clube, ou por toda a polêmica e irresponsabilidades vistas no fatídico BaVi de fevereiro, não poderia terminar bem. Os frutos plantados por gestões anteriores, mesmo com todos indícios de que eram errados, foram colhidos e repetidos nesse ano.

O elenco desbalanceado, atletas com baixa qualidade técnica, além dos famosos "pacotões" de jogadores que foram apresentados pelo clube, evidenciaram uma formação defasada do plantel. Essas foram algumas das equivocadas atitudes que são facilmente identificadas na gestão do atual presidente Ricardo David.

Outros pilares também podem ser considerados como decisivos para culminar na última imagem que ficou do Leão na Série A: a de um Barradão vazio e de uma torcida esgotada, cansada de sofrer com vexames. Listei cinco fatores que levaram os torcedores a esse estado.

1) Histórico da equipe nas últimas duas temporadas: diversos erros que foram cometidos nos campeonatos de 2016 e 2017, não foram corrigidos nessa edição e não houve uma melhora no desempenho do clube. É importante destacar que o time rubro-negro permaneceu na elite nacional apenas no décimo sexto lugar nas temporadas citadas - enquanto Marinho fez milagre no BR-16, Trellez foi o grande nome do ano passado;

2) Perda do título estadual e aumento no jejum de clássicos: ao final desse ano, o Vitória acumulou 10 jogos sem ganhar do Bahia, consolidando o maior tabu do século XXI nesse clássico. Além disso, a primeira grande decepção do ano foi vista no Baianão, quando o rubro-negro perdeu por 0x1 para o Tricolor, dentro do Barradão, na decisão do campeonato. Por isso é inevitável que tabus como esses não mexam com o orgulho e com o brio de qualquer torcedor;

3) Diversas goleadas sofridas: oito goleadas. Foram, precisamente, oito ocasiões em que o Leão sofreu um revés de três ou mais gols nessa temporada. Inclusive, dentre essas derrotas, partidas como o 4x1 para o Bahia ou o 0x3 para o Sampaio Corrêa (time que jogará na Série C em 2019). Derrotas como essas são duras, humilhantes e deixaram grandes cicatrizes na torcida rubro-negra;

4) Fator Barradão: um dos maiores orgulhos dos torcedores do Vitória e uma das maiores identidades do clube, o fator mando de campo para os rubro-negros não fez efeito nos dois últimos campeonatos nacionais e é uma característica que precisa ser resgatada. Em 2017 foram apenas três triunfos em 19 jogos, enquanto nessa temporada foram somente sete resultados positivos. Flamengo, Santos, Palmeiras, São Paulo, Bahia, Botafogo e Vasco, são exemplos de grandes times que sofreram goleadas históricas dentro do Manoel Barradas;

5) Time sem reação: acredito que não seja problema de vontade ou disposição em campo, mas esse é, sem dúvidas, o maior dos problemas. Enquanto um torcedor olhar para o seu time e acreditar que ele possa suprir a falta de qualidade na vontade, ainda serve de alento ao consumidor, o que difere totalmente da realidade desse elenco do Vitória. Com exceção da rápida sequência de quatro jogos sem levar gol, o Leão não conseguiu demonstrar forças para mudar o rumo do campeonato e não vence há sete jogos, sendo que conquistou apenas duas vitórias nos últimos 15 duelos, contando ainda com sete derrotas e seis empates.

Apostas erradas

Desse atual elenco é possível fazer uma lista de jogadores que não corresponderam nessa temporada ou que demonstraram ter um baixo nível técnico. E, por isso, ao meu ver, é necessária uma grande reformulação para 2019, mas vamos lá!

Iniciando pelo setor defensivo, parte mais crítica da equipe durante o ano, o problema começou logo debaixo das traves: Fernando Miguel, Caíque, Elias, Ronaldo e João Gabriel, cinco goleiros que não tiveram sossego durante essa temporada.

Após a ida de Fernando Miguel para o Vasco, o Vitória apostou em Caíque e viu o jovem goleiro falhar diversas vezes, sendo rapidamente barrado e "rebaixado" para o sub-23; posteriormente, Elias assumiu as redes do Leão mas não teve sequência, atuando apenas oito vezes; Ronaldo veio depois e não deixou uma boa impressão, ficando marcado pela insegurança que passou em suas atuações; por último, João Gabriel, uma cria da base do Leão, mas que atualmente pertence ao Cianorte. O goleiro de 26 anos chegou no meio do ano e apesar de só ter oportunidades nessa reta final, vai fechar o ano em alta. Essa incessante troca de arqueiros exemplifica bem o ano instável desse setor.

Quanto as laterais, Lucas, Bryan e Fabiano não convenceram os rubro-negros nas oportunidades que tiveram. Além disso, Pedro Botelho, contratado no início do ano, veio com um contrato de apenas seis meses, mas foi muito mal e não conseguiu uma renovação. Outro atleta para a posição foi Juninho, que se lesionou e perdeu uma boa parte da temporada. Enquanto isso, contratado no meio da temporada, o argentino Benítez não atuou em muitas ocasiões e demonstrou uma determinada irregularidade. Por fim, mesmo sem se destacar, Jeferson foi quem mais atuou e teve sequência dentre os jogadores que o Leão tinha na posição. 

Já os zagueiros, com exceção de Lucas Ribeiro que veio da divisão de base, nenhum outro obteve um desempenho minimamente aceitável. Kanu se manteve na equipe por conta do baixo nível da defesa do Leão e terminou rescindindo o contrato em outubro. O outro remanescente de 2017, Ramon, teve sua imagem vinculada ao rebaixamento do clube pelas falhas ocorridas na reta final do campeonato - pelo clima com a torcida, a situação do atleta é praticamente insustentável em 2019.

Lucas Ribeiro foi a melhor surpresa do Vitória em 2018 (Foto: Maurícia da Matta/ EC Vitória)

Enquanto isso, Aderllan, Walisson Maia e Ruan Renato chegaram para essa temporada e não melhoraram o "miolo de zaga" rubro-negra. O jovem Bruno Bispo ficou marcado pela confusão no BaVi e pouco teve espaço.

No setor de meio campo, somente no primeiro semestre, cinco jogadores saíram da equipe: Baumjohann não renovou o seu contrato de seis meses e saiu durante a Copa do Mundo; José Welison foi vendido ao Atlético Mineiro; enquanto Uillian Correia e Lucas Marques foram emprestados para Coritiba e Figueirense, respectivamente. 

Arouca e Fillipe Soutto não convenceram, assim como o Willian Farias, que viu o seu status de ídolo, como muitos o classificavam, ficar balançado após mais um ano de lesões e atuações fracas. Marcelo Meli e Nickson não tiveram tantas oportunidades nessa temporada. Já Rodrigo Andrade deverá permanecer após um ano nota 6,5, se comparado aos seus companheiros. Em contramão ás más atuações, Léo Gomes, assim como Lucas Ribeiro, veio da base e foi o único ponto positivo do setor em que atua.

Por fim, no comando do ataque, outro problema: André Lima, Jonatas Belusso e Walter Bou não deram conta e tiveram um péssimo desempenho; Bruno Gomes, atacante que veio durante a pausa para à Copa do Mundo, sequer entrou em campo. Wallyson e Maurício não tiveram tantos minutos em campo, diferentemente de Neilton, que após um bom início de temporada, viu as suas atuações caírem significativamente e amargou até o banco de reservas.

Erick, Rhayner e Lucas Fernandes tiveram lapsos de boas atuações, mas demonstraram muitas limitações tecnicamente. Em compensação, Léo Ceará, que estava no Confiança, foi chamado para o elenco por Carpegiani e compensou sua deficiência técnica com muita entrega e vontade, chegando até mesmo a marcar gols importantes nessa campanha. O jovem e promissor Luan teve problemas com diversas lesões e pouco atuou nessa temporada, deixando como última impressão a boa partida contra o Grêmio.

Luan é uma das maiores promessas da divisão de base do Leão e é uma esperança para 2019 (Foto: Maurícia da Matta/ EC Vitória)

Mudanças para 2019

Com a execução do novo modelo de cotas de televisão a partir do ano que vem, o Vitória vai sofrer financeiramente na próxima temporada. Com o fim da manutenção das cotas de Série A para os clubes que cairão para a segunda divisão, uma das maiores fontes de renda do clube vai diminuir consideravelmente.

Essa diminuição afetará diretamente no potencial de contratação do Leão, pois, além de figurar na Série B, o impacto nas finanças do clube deverá ser grande - lembrando que a equipe ainda precisará lidar com dívidas existentes. 

Com isso, se desfazer de jogadores que ocupam um maior espaço na folha salarial deverá ser uma prática do clube. Além disso, o aproveitamento de forma mais incisiva de atletas da base, que fizeram mais uma excelente temporada nos campeonatos da categoria, deverá ser um importante aliado em 2019.

Competições como o Campeonato Baiano e a Copa do Nordeste, serão boas opções para que esses garotos consigam minutos e espaço no elenco profissional, até mesmo para dar canja aos jovens atletas. É importante destacar que, caso realmente ocorra essa situação, a paciência do torcedor será um fator fundamental nesse processo de transição desses jovens.

Por fim, fica a expectativa e a esperança da torcida rubro-negra para que 2019 seja diferente. Um ano de mais ações e menos palavras. Uma temporada de renovação e reconstrução da imagem do Esporte Clube Vitória.

Nenhum comentário